Cultbox

show

para caminhos de 28:35 minutos.

Começa em um orquidário. Aquela paz, aquela tranquilidade que só as plantas te dão, mesmo sem você gostar nem um pouco de flores de qualquer espécie.

Vai para um quarto. E quarto, tem sempre aquele conforto que te abraça e aquela preguicinha incontrolável que dá e não passa.

Levantou.

Andou para a cozinha.

Cheiro de comida, cheiro de coisa gostosa, cheiro de casa de mamãe, casa de vovó. Sensação incrível que aquele barulho fino da chaleira te traz.

Tem aqueles barulhos de máquina de escrever. Não é todo mundo que gosta, mas particularmente, aquilo me dá uma tranquilidade muito boa. Tem também aquela batida do seu próprio coração, que você escuta – e sente -  em alto e bom som. Passa por um metrônomo, que a príncipio tem um som irritante, mas o irritante se transforma em um elemento legal.

Volta pro quarto. E para voltar pro quarto tem aquele barulho de passos, misturado com pés se arrastando em um chão de madeira.

Agora o quarto é casa de campo, com a janela aberta, com os passarinhos cantando afinadinhos. Um canto tão afinado, que você desconfia que é preset de um sample da vida.

Fora tudo isso, tem voz, tem guitarra, tem violão, tem baixo, tem o próprio sample.

Seria um caminho absolutamente normal para o trabalho. Mas pra mim foi o CD novo de Lenine – Chão.

Ouve aqui para ter uma ideia do que eu tô te falando. Mas se eu fosse você, compraria agora e colocaria no som do teu carro enquanto você vai pegar algum caminho de 28:35 minutos.

{menção mais que especial para essa música. se não for a mais linda do ano, eu cegue.}

{menção também para Lila (minha namorada), que proporcionou esse caminho mais legal pro trabalho e esse post, quando me presenteou com o disco}
 

 

 


Fotos do fato

A comemoração pelo aniversário de 3 anos do blog foi assim, um tanto mágica, por conta do cenário; um bocado paulera, por causa do somzão que tava rolando; e super alto astral, pela presença de tanta gente bacana.

Muito obrigado às bandas, à equipe do Aponte, a todos os amigos que puderam comparecer e a Lusenalto, que tirou várias fotos e não se deu ao trabalho de sair em pelo menos uma.

Se não deu pra você ir, pode ficar tranquilo, essa foi só a primeira de muitas. Só tomara que não tenhamos de esperar mais um ano pra reunirmos toda essa turma de novo, afinal, pra fazer festa, qualquer motivo serve.


Let’s rock it!

O que começou como um passa-tempo, se transformou num espaço para compartilhar ideias. Ou tudo não passaria de uma desculpa para amigos se encontrarem, em plena terça-feira, pra conversar besteira no Bugaloo?  3 anos já se passaram desde aquele primeiro post, eufórico, escrito logo depois de uma sessão de O Cavaleiro das Trevas. De lá pra cá, muita coisa aconteceu: gente chegando, gente passando e deixando saudade, novos parceiros, ideias megalomaníacas, noitas viradas, …, mas nossa essência sempre permaneceu a mesma: falar sobre cinema, música, design, games, quadrinhos, fotografia, grafite, literatura e etc.  Falar sobre tudo o que a gente gosta e que achamos que vale a pena dividir. Nem sempre é fácil, dá trabalho, às vezes cansa, dá preguiça, mas a gente sempre acaba encontrando mais motivos para continuar. Por isso que completar 3 anos é motivo de sobra para comemorar. E como não poderia ser diferente, vamos fazê-lo com muito rock n’roll.

Estão todos  convidados.

Domingo, dia 28, no Capibar.

 


Aponte II

No próximo sábado, dia 2 de julho, vai rolar a segunda edição do projeto Aponte. Pra quem ainda não conhece, o Aponte é uma iniciativa que visa divulgar as bandas autorais da cidade, resgatando a cultura local de projetar bandas autorais nacional e internacionalmente. O evento acontece no Capibar, um espaço localizado em Casa Forte, às margens do Capibaribe e começa a partir das 15h. Nesse sábado, a banda Dotes recebe Ciranda de Maluco e a extinta Malakaii, que vai se reunir especialmente para uma apresentação. O lugar é ventilado, cheio de gente bonita e cerveja gelada, a um preço mais do que acessível.

Entrada: Homem: R$ 8,00 + 1 kg de alimento não perecível

Mulher: R$ 5,00 + 1 kg de alimento não perecível

As primeiras 50 pessoas que chegarem ganham uma dose de SixnFlix.

Informações: aponterecife@hotmail.com |81-99653835| 81-92866908

 

Então, se você ainda não marcou nada pro sábado a tarde e tá a fim de tudo isso, não perde não. Vai ser massa.

* Ah, e tem o seguinte: o Cultbox tá sorteando dois pares de entradas para o evento. Para concorrer, é só retuitar a frase: “Quero ganhar um dos pares de ingressos para o Aponte que o @cultbox está sorteando: http://kingo.to/Hh3” e seguir o perfil do blog.

Um pouco do trabalho de cada banda:

Malakaii

Ciranda de Maluco

Dotes


All Because Of You

Já posso riscar o item “ir à um show do U2″ da minha listinha de 1001 coisas pra fazer antes de partir dessa pra uma melhor. Aliás, esse e alguns outros que vieram de carona. Tá, eu sei que dito dessa forma soa um bocado dramático e você aí, anti-fã de Bono e cia, já deve estar torcendo o nariz, pensando no que vem a seguir, mas uma experiência como a que tive merece todos os tipos de hipérbole do universo inteiro.

A mais cara, e que já registra a maior arrecadação de todos os tempos, a 360º Tour já larga na frente no quesito megalomania. Basta olhar para a enorme estrutura do palco para entender: uma circunferência de 80 metros de diâmetro, delimitada por uma grande passarela e atravessada por pontes rotativas sobre uma impressionante estrutura de luz, som e telões de 50 metros de altura, desenhada por Mark Fisher, o mesmo projetista responsável pela turnê “The Wall”, do Pink Floyd, e que mais recentemente assinou a abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.

Saí de Recife com dois ingressos para o dia 10, um pra mim  e outro pra minha namorada, doido pra conferir esse espetáculo de perto. Depois da maratona entre aeroportos e já devidamente instalado na capital paulistana, recebemos o telefonema de um amigo. Proposta: pegar um busu até o Morumbi pra assistir à primeira noite do show da varanda do apartamento dele. Difícil conceber, né? Pois Deus te abençoe, Henrique Zirpolli.

Chegamos lá por volta das 21h, logo após o Muse ter encerrado a apresentação de abertura (daqui a pouco volto a falar neles). Quem tinha de entrar no estádio, já estava lá dentro. Com exeção dos camelôs vendendo camisas, as ruas estavam praticamente vazias. Não deu tempo nem de pegar uma latinha de refrigerante, Even Better Than the Real Thing começou a fazer tremer a estrutura do prédio inteiro.

De lá, só conseguíamos ver o topo da “aranha gigante” e o pessoal que ocupava as arquibancadas superiores, mas o som estava praticamente perfeito. A cada clássico, a galera ia à loucura. Era até engraçado ver aquelas pessoinhas pulando juntas lá dentro. A surpresa ficou por conta de “Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me”, que os irlandeses raramente executam em seus shows, e a ausência de muitas músicas do último disco.  De qualquer forma, serviu como aperitivo para o que estava por vir.

Nosso dia havia chegado e às 16h chegamos ao Morumbi. Pegamos uma fila muito bem organizada e logo estávamos na arquibancada amarela, no anel superior do estádio, do lado oposto da pista – dizer que fica atrás do palco seria incoerente. O público foi chegando aos pouquinhos. Tudo indo muito bem até a hora que começou a chover. A “garoa” só parou minutos antes dos músicos do Muse subirem ao palco e espantarem o frio que estava fazendo.

Não sou muito fã do estilo deles, mas os caras merecem todo o respeito. Fizeram um pocketshow impecável, apresentando os principais hits da banda.  45 minutos de porrada nos ouvidos e uma amostra do potencial do palco – até então a “aranha” ainda não havia se revelado completamente.

Um relógio marcava uma suposta contagem regressiva quando as luzes se apagaram e “Space Oddity”, de Bowie, embalou a entrada do grupo. Assim como nos shows no Chile, na Argentina e o da noite anterior, repetiram a abertura com “Even Better…”. Alguma dúvida que o estádio veio abaixo? E olha que fiquei com medo que viesse mesmo, pois tremia, viu? Mesmo.

Ninguém duvida do carisma de Bono, mas naquela noite ele estava inspirado: brincou com The Edge, conversou com o público, pegou uma fã da Red Zone a tiracolo e fez seus tradicionais discursos, mas estava se divertindo. A gente que estava a maior parte do tempo vendo a banda de costas, nem sentiu. O telão roubava toda a atenção e vez por outra os integrantes se viravam na nossa direção.

A noite reservou vários momentos especiais, como a apresentação de uma música nova – do álbum que deve sair no próximo mês – e de Zooropa, do disco homônimo de 1993, que pela primeira vez foi executada ao vivo. Incrível.

Mas Bono me traiu. Não cantou a única música que não poderia faltar naquela noite, In a Little While, e quase estragou meus planos. Tive de improvisar.

Pois é, lembra quando disse lá em cima que esse show seria uma das experiências mais especiais da minha vida? Risquei um outro item da lista de coisas pra fazer, pedi minha Raíssa em casamento. Era nosso aniversário de namoro. 8 anos juntos, completados no dia 8. Era ou não o universo conspirando pra gente? Só faltou In a Little While. Então aproveitei o finalzinho de “Ultraviolet”, e quando fiz a pergunta, começaram os primeiros acordes de “With or Without You”. Nem nos meus ensaios imaginaria um  timing tão perfeito. Valeu, Edge!

All Because Of You

Tenho só que ratificar uma coisa: pegue o item “ir em um  show do u2″ e substitua por “vá em todos os shows do U2 que você puder”. Garanto que, assim como foi especial para nós, também será pra você.

 

E a propósito, ela disse SIM.


E abril que nos aguarde.

Com cobertura completa aqui pelo Cultbox. Aguardem.


Quem pronunciar Jason Mraz corretamente ganha um milkshake.

Sabe quando você vai pra um show sem esperar nada? Eu fui pra Jason Mraz esperando menos que isso.

Vamos por partes.

Nós 4 começou os trabalhos, apesar do público ainda não estar completo. No repertório deles tinha Maria Rita, Tim Maia, Jorge Ben e outros clássicos da Mpb.

A banda estava bastante empolgada e tentou de todas as formas animar o púlbico, até apelando pra um improviso de I’m Yours, gerando um leve desconforto no público. Na última música, as pessoas aplaudiram mais do que na chegada da banda, quando eles finalizaram com Chico ScienceRios, Pontes e Overdrives.

Como num passe de mágica, 5 minutos após o show da banda recifense, o Cabanga estava lotado de fãs, com direito a chapeuzinho e tudo mais.

Quase que pontual, o norte-americano Jason Mraz entra no palco sem muito alarde e cantou Tudo Que Você Podia Ser, de Milton Nascimento, sem causar vergonha alheia em ninguém.

Carismático e cheio de performance, Jason seguiu o repertório que o público sabia de cor.

Jason também chamou uma fã pra dançar com ele no palco por uns cinco minutos e deixou muita gente com inveja.

Um dos pontos altos do show foi quando ele tocou The Dynamo Of Volition, fez uma coreografia e foi acompanhado por quase todo mundo.

Ao contrário do que todo mundo esperava, ele não tocou All You Need Is Love, dos Beatles, mas mesmo assim fez bonito e como eu já disse, agradou muito os fãs.

Depois de terminar o repertório, foi embora sem tocar I’m Yours e Lucky, deixando o público ensandecido.

Calma. O post ainda não terminou. Isso foi o que tornou o “ir embora e voltar” mais legal do que normalmente é.

Jason voltou acompanhado da sua noiva e cantora Tristan Prettyman pra cantar Lucky e finaliza o show com a música que todo mundo conhecia ou pelo menos sabia cantar tipo karaokê, I’m Yours.

Como eu disse no começo, o show me surpreendeu. De verdade.

Ps.: O cultbox agradece a Iara Lima e a Raio Lazer, que nos convidou para cobrir o show.

Ps.2: Me desculpem pelo título. Eu tenho sérios problemas em criar títulos pra post e não ia colocar “Jason Mraz em Recife”. Abs.


O sonho não acabou

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Depois de muita expectativa, ansiedade e todos os sentimentos que provocam aquele friozinho na barriga, chegou o dia. E que dia. Eu vi meu maior ídolo de perto, tudo bem, nem tão de perto assim, mas ele tava ali adiante. Só alguns metros a minha frente. Não quero fazer crítica do show, o meu poder de análise desse show é só a impressão de um fã. Em quase três horas de show Paul me fez rir, pular, arrepiar e chorar (sim, Pedrinho Paes, eu chorei). Coisas que só alguém com sensibilidade para emocionar, pelo menos três gerações, consegue. O engraçado é imaginar que quase tudo o que emociona na vida é fruto de uma surpresa. Uma promoção inesperada no trabalho, a descoberta de uma gravidez ou um pedido de casamento.
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No caso do Show de ontem, eu sabia que iria ouvir Paul homenagear John Lennon e me fazer chorar feito um menino, sabia que ele tocar Let Me Roll it e me fazer pular tanto, como há muito não fazia e também sabia que ele ia tocar The End e me fazer lamentar pela milésima vez o fato de não ter vivido a época da maior de todas as bandas. Eu sabia de tudo, ou de quase tudo. Mas eu não sabia o que eu realmente ia sentir. Na verdade, mesmo depois, não sei o que eu senti. Mas sei que eu queria que um monte de gente estivesse lá comigo (nessa hora o celular me ajudou a mandar mensagem só para algumas poucas, das tantas, pessoas que eu queria que estivessem lá, ao meu lado, sentindo o que eu senti. O sonho não acabou. Ele ainda persiste e eu me orgulho de ter feito parte dele por algumas horinhas.