Dez anos do disco da década
Ontem, dia 30 de junho, fez exatos 10 anos do lançamento de um dos mais importantes discos da cultura pop dos últimos tempos. O Is this it. Eu lembro o que eu senti, quando ouvi Last Nite pela primeira vez. Era um misto de novidade com “já ouvi isso antes”. É isso que o Strokes mostrava ao mundo. Que era possível fazer música de um jeito simples, clássico e soar moderno, mesmo escancarando muitas referências clássicas. O Is This it lançou o Strokes para o mundo e junto, inspiração para um sem número de bandas que seguiram o exemplo dos nova-iorquinos. Uma verdadeira avalanche que, se a gente fosse citar, provavelmente ocuparia boa parte das linhas desse texto. Os Is This It é cool. É bacana mesmo. Pra mim é, até hoje, o tiro no alvo que o Strokes deu. Não que isso faça dos outros discos decepções, mas acho que o Is This It é a obra prima da banda. E a fórmula é fácil: simplicidade. Eles voltaram ao bom e velho formato que consagrou tanta coisa boa no rock and roll: baixo, bateria e guitarra. Simples assim sem grandes efeitos ou distorções destacadas. Tudo isso em um panorama desfavorável. A música eletrônica crescia cada vez mais e estava, inclusive, sendo incorporada ao trabalho de bandas tradicionalmente rock and roll. O Led Zeppelin, o Kinks, o The Who e tantas outras bandas clássicas pareciam uma lembrança distante. Inovar era misturar cada vez mais estilos e colocar cada vez mais efeitos. Aliado a sonoridade, claro, eles também souberam trabalhar muito bem a imagem. Adotaram um visual moderno, mas com simplicidade. Roupas pretas, All star e cabelos bagunçados. O Is This It mostrou, de cara, a personalidade da banda: um rock descompromissado, bacana e com tudo o que a gente já conhecia, mas andava esquecido. Parabéns para o aniversariante. Pelo aniversário e por ter resgatado o bom e velho rock and roll.
O último autógrafo de John Lennon

Depois de 5 anos afastado dos estúdios e palcos, em virtude do recém nascido Sean Lennon, John Lennon voltou a gravar. Infelizmente foi o seu último e, por que não, um dos mais memoráveis trabalhos da carreira. Double Fantasy é uma parceria do ex-parceiro de McCartney com a sua esposa. Yoko é contestada, pra não dizer odiada, por 11 em cada 10 fãs dos Beatles, mas independente disso Double Fantasy deixa claro que ela servia sim, como inspiração para Lennon e sim, também acrescentou à obra.
É bem verdade que com um experimentalismo difícil de ser compreendido e até chato, às vezes. John Lennon traz composições inspiradas e singelas, bem diferente do fim dos Beatles e do início do seu trabalho solo, quando as suas letras tinham um quê de amargura e muito psicodelismo. Destaque para (Just Like) Starting Over, Beautiful Boy (uma linda homenagem ao filho, Sean) e Woman, uma música que homenageia Yoko e está entre as maiores letras de John Lennon.
Double Fantasy tem um pé nos anos 80, mas não perde o sincretismo que acompanha John da metade dos Beatles em diante. O disco ainda tem uma triste coincidência. Foi nele que John Lennon escreveu o seu último autógrafo, justamente para o homem que deixou o mundo um lugar pior: Mark David Chapman.
Tango ao contrário
Pra algumas pessoas o que eu vou escrever aqui não é nenhuma novidade. Mas se encaixa na proposta do blog. Vou adiantar que também não tem nada a ver com a derrota do Brasil para os nossos hermanos. Tudo bem que, de alguma forma, eles me fizeram lembrar disso. Trata-se de um francês, um suíço e um argentino que se reuniram em Paris e formaram um grupo chamado Gotan Project. O nome, aliás, é sugestivo. Permutando a primeira com segunda sílaba da palavra revela-se o ritmo que Carlos Gardel cantou e que foi trilha sonora de tantos filmes, Perfume de Mulher é só um deles.
Do inferno ao céu. Uma obra de arte.
Produzido por Butch Vig e Billy Corgan, o Siamese Dream foi lançado no ano de 1994, em um dos períodos mais conturbados da banda. Billy Corgan estava em profunda depressão, o baterista Jimmy Chamberlin estava afundado em álcool e drogas e o relacionamento de D’arcy Wretzky e James Lha, baixista e guitarrista respectivamente, tinha acabado e os dois brigavam incessantemente. A banda vivia um inferno astral. Acabaram se mudando para longe de Chicago, afim afastar Chamberlin do seus vícios, começaram a se consultar com terapeutas e, finalmente, o disco saiu. Depois de todos os problemas, um insistente bloqueio criativo do vocalista e líder da banda, Billy Corgan, e 16 horas diárias de gravação.
O resultado? Faixas repletas de guitarras distorcidas e melódicas, vocais carregados de emoção e letras cheias de sentimento, que traziam o passado conturbado e cheio de inseguranças de Corgan. Sem dúvida, um dos grandes discos da década de 90, que rendeu clássicos como Today, Disarm e Hummer. É praticamente obrigatório para quem gosta de boa música. Comprem, baixem ou peçam emprestado, mas não deixem de ouvir.
O dia em que Lennon e McCartney quase tocaram juntos de novo

Dá pra imaginar um encontro entre John Lennon e Paul McCartney em 1976 em que eles discutiram o fim dos Beatles, fumaram uns baseados, brigaram, dançaram um reggae no Central Park e quase fizeram uma apresentação no Saturday Night Live? Pois o roteirista Mark Stanfield imaginou. E o melhor: colocou tudo num roteiro, entregou ao diretor Michael Lindsay-Hogg, que chamou dois atores inspirados e filmou tudo. Two of Us (Tudo entre Nós) é lição de casa para todo fã da maior banda de todos os tempos (desculpem a parcialidade).
Além desse, o diretor também dirigiu o documentário Let it Be (1970), que registrou os últimos momentos da banda. Por conviver com McCartney e Lennon, Michael Lindsay-Hogg dirigiu Aidan Quinn (Lendas da Paixão), como Paul McCartney e Jared Harris (Resident Evil: Apocalipse), como John Lennon com maestria e conseguiu uma reprodução fidedigna da personalidade, dos trejeitos e do linguajar dos personagens.

A história é baseada em fatos reais: em um sábado, no dia 24 de abril de 1976 Paul, Linda McCartney, Yoko Ono e John Lennon estavam reunidos na casa de John, em Nova Iorque, e assistiram, ao vivo, Lorne Michaels, apresentador do Saturday Night Live, oferecer 3 mil dólares para a banda tocar algumas músicas no programa. Os dois acharam que seria engraçado aceitar o desafio e ir até ao programa, que ficava a apenas algumas quadras. O quarteto quase entrou em um táxi, mas o cansaço da ex-dupla não permitiu. Pena para os órfãos da banda, que quase tiveram a chance de rever os velhos parceiros em ação. Mesmo sendo fruto da imaginação do diretor, o filme emociona, faz rir e envolve qualquer fã dos Beatles. Consegui um trailer com uma qualidade bem baixa, mas dá pra ter uma ideia. Ficou curioso? Então corra até a locadora mais próxima e veja antes de todo mundo.
Os ídolos de Kurt Cobain
Depois de um disco de estreia produzido por ninguém menos que Steve Albini, o Pixies botou o pé no freio e convidou Gil Norton. Dessa vez, a banda fez um som mais limpo, mas nem por isso menos inspirado. Pelo contrário, o Doolittle é considerado por muita gente a obra-prima dos caras. E não é à toa: o disco é daqueles que se ouve do começo ao fim. É quase uma ópera. Só que cheio de guitarras, gritos e backing vocals inspirados. Com todo respeito ao Nirvana e ao falecido vocalista da banda e grande fã do Pixies, mas nem eles conseguiram gritar e fazer distorções tão bem, como o quarteto de Boston conseguiu nesse disco. Só pra comentar algumas faixas: Hey é uma poesia moderna que agrada até o mais radical dos fãs de Bukowski, Here comes Your Man uma imersão aos bailinhos da década de 60 e Mr. Grieves um “reggae” acelerado por uma batida alucinante, capaz de balançar qualquer rasta.
Se você já conhece, mate a saudade e relembre esse clássico. Se ainda não conhece, tome vergonha, escute aqui e constate.Reggae de Branco
Estreando a nova seção do Cultbox. O “Ontem e Hoje” vai trazer um clássico diferente toda semana. Um filme, um disco, uma série, um brinquedo, um comercial. Tudo pode ser tema pro Ontem e hoje. Sem limitações.
E pra abrir a nossa seção, Reggatta de Blanc. Segundo trabalho do Police, o disco é um clássico e, pra mim, o melhor da banda. Reggatta Blanc quer dizer reggae branco e o Police não poderia ter batizado o album com um nome melhor. Com influências claras da música jamaicana o power trio misturou, muito bem, ritmos “brancos” como punk e new wave à música.
É difícil ouvir o disco e acreditar que ele foi feito por três pessoas. Isso mesmo: Andy summers, Stewart Copeland e Sting. Produzido por John Fogerty, Reggatta de Blanc foi gravado em poucos canais e dispensou a maioria dos efeitos.
Message in a Bottle abre o disco e já mostra o potencial do segundo trabalho do Police. O trio nunca esteve tão afinado. Tanto na execução das músicas, como no processo criativo. Chega a ser um tanto frustrante constatar que eles não conseguiram superar, nem sequer repetir o brilhantismo colocado nessa obra. Felizmente tudo ficou registrado. E, se você não conhece ou quer matar a saudade, pode baixar aqui e conferir.





















