Era uma vez o amor, mas eu tive que matá-lo
Aqui ainda não é o post, são só adendos sobre o colombiano Efraim Medina Reyes. Mas você pode muito bem pular pro trecho entre aspas.
- O post não tem foto, porque a maioria das fotos do autor ou estão em baixa resolução, ou ele está nu andando de bicicleta, ou nu segurando alguma revista em quadrinhos.
- Se você não aguenta verdades duras e gosta de procurar significados profundos e entrelinhas que não existem, não leia os livros dele.
- Esse cara escreveu a coisa mais bonita que eu já vi sobre Kurt Cobain.
- Se você é fã de Garcia Marquez, eu diria pra você ler, mesmo que seja pra ficar com muita raiva desse cara.
- Talvez você tenha vergonha de pedir os outros livros dele numa livraria “conceituada”, então aqui vai uma sugestão: sebos ou www.estantevirtual.com.br (nesse caso, o google vai saber).
- Por último e não menos importante, isso ainda não é o post, porque eu não vou me atrever a escrever sobre qualquer escritor. ou talvez seja só “bundamolice” minha mesmo.
- Esquece tudo que eu falei e lê esse trechinho do livro.
- Ou simplesmente esquece tudo que eu falei.
“A gente se mete a escrever porque não foi capaz de bater num motorista que nos afrontou na rua, porque não quebrou pratos num restaurante, porque não enfrentou um policial louco que xingou sua namorada, porque não cuspiu num professor que dizia que a Terra é redonda, porque deixou que pegassem seu lugar na fila do cinema, porque não tem ofício nem benefício, porque pensa que é uma forma fácil de fazer fama e dinheiro, porque se paspalhos como García Márquez e Mutis fazem isso, a gente também pode fazer, porque não é bom em matemática, porque não quer ser médico nem advogado, porque está irado, porque odeia as pessoas e quer insultá-las.
A gente se mete a escrever porque uma garota linda lhe disse que gostava de escritores, porque precisa de um álibi para não trabalhar, porque isso o faz sentir-se superior, porque leu uns romances de caubóis e quer entrar na concorrência, porque é um caubói sem Oeste, porque escriturários como Vargas Llosa o fazem, porque não tem voz, porque não tem ritmo, porque pensa que tem alguma coisa a dizer, porque descobre que as garotas bonitas dizem que os escritores são ternos mas saem com mafiosos, porque não deixam dar um amasso na ganhadora do concurso nacional de beleza, porque é magro e não tem remédio, porque tem medo de morrer sem ter metido numa garota linda, porque se um puxa-saco hipócrita como Vargas Llosa escreve qualquer um pode fazê-lo, porque sabe que o cinema é tempo perdido, porque tem inveja dos micos que aparecem na tela e ganham milhões, porque na falta de melhores oportunidades quer ser como Bukowski.
A gente se mete a escrever porque não sabe lutar boxe nem tem colhões para isso, porque tem os dentes tortos e não pode sorrir como gostaria, porque para os impotentes de todo tipo não há outro caminho, porque todos os feios escrevem ou assassinam e a gente não é capaz de matar nem uma mosca, porque escrever dá importância, porque para chamarem alguém de escritor não é preciso escrever bem, mas para chamarem de filho-da-puta não importa se sua mãe é uma santa, porque tem medo de ficar à deriva sem fazer nada, porque não pode beber toda noite, porque ama a Deus mas odeia as sociedades sem fins lucrativos, porque não tem namorada, porque não há emoções mas insultos, porque na sua casa não tem televisão e o rádio quebrou, porque a mulher do vizinho é gostosa, porque tem medo de ficar careca e por isso evita os espelhos. A gente se mete a escrever porque não se atreve a assaltar um supermercado, porque ama a mulher e ela é namorada do garoto esperto da rua, porque não há revistas pornográficas suficientes, porque quer fazer alguma coisa além de cagar e se masturbar, porque não é o garoto esperto da rua nem o garoto forte nem o engraçado, porque é o garoto nada, porque não vale um tostão furado, porque apanha lá fora, porque sua mãe grita o tempo todo, porque não há ilusões nem luz no fim do túnel, porque sua mãe grita o tempo todo, porque sua mente voa baixo e nunca será outro Cioran, porque não tem coragem para saltar, porque não quer a esposa feia que merece, porque tem medo de morrer sem ter comido um belo cuzinho, porque não tem pai, amigos, nem fortuna, porque não tem o jeito de cuspir do Clint Eastwood, porque se paralisa entre uma e outra intenção, porque era uma vez o amor mas eu tive que matá-lo.
O bom é que escrever não serve para nada daquilo que a gente quer. Escrever é um limite, uma dor, um defeito a mais. O bom é que depois de escrever a gente se sente péssimo. Nada mudou, tudo continua no seu lugar (menos você, maldito cabelo), Pelé não volta para o campo. O ruim é que você escreve e o Pambelé cai na lona espancado por um gringo, um maldito gringo que esteve preso por bater na mãe. O ruim é que Pambelé não é a mãe do gringo e – por mais que você escreva – continua caído. O bom é que você escreve e continua sonhando com a mulher do vizinho, sonha que a agarra pelas orelhas e crava-lhe a rola. O ruim é que escrever não cura seus desejos assassino, que assaltar um supermercado continua sendo o seu objetivo impossível. O ruim é que ainda deseja um amor inesquecível. O ruim é que escrever serve para tudo aquilo que você não quer.”
Se você chegou até aqui, isso também é um post do Clube do Livro.
O primeiro que comentar, ganha esse livro. Merecidamente.
Clube do Livro
A primeira regra do Clube do Livro é você DEVE falar sobre o Clube do Livro.
Isso mesmo. Espalhar pra todo mundo a ideia.
E qual seria a esse ideia?
O Cultbox (pelo menos o autor desse post) vai disponibilizar um livro por semana para os leitores do Cultbox. (Ou pelo menos tentar que seja um por semana, mas se passar só uma semana sem, tá valendo…)
E como funciona? Bem, o primeiro leitor que postar um comentário dizendo que quer o livro e deixando seu email, a gente vai lá e manda.
Seja um leitor de Recife, de Porto Alegre, de Paris, Oslo… Whatever!
Essa historinha num é nada revolucionária nem nada…
Já existem sites bem mais organizados pra isso como o bookmooch.com e o www.trocandolivros.com.br.
Que aliás, recomendo muitíssimo.
Mas queria fazer algo no nosso blog e ver como anda o interesse das pessoas por leitura.
Veja só, você não vai pagar nada. Só precisa deixar um comentário.
Se quiser mandar algum livro pra mim de volta, você terá o endereço e só vou poder agradecer a gentileza…
Pra começar, não poderia escolher outro tema que não fosse tão familiar ao Cultbox quanto o Rock. Escolhi um livro que me diverti bastante lendo. Eu sou Ozzy.
O livro é uma autobiografia do mito do rock, John Michael Osbourne.
Conta desde sua infância de aluno problemático a transformação do Metal com a banda Black Sabbath e sua carreira solo.
Tudo isso recheado de drogas e muito bom humor (E mal humor algumas vezes, é verdade).
Bem…
Já estou esperando sair o primeiro comentário… E já escolhendo aqui na prateleira o próximo livro…
E só pra deixar claro, só consegui pensar claramente na primeira regra. O resto segue working in progress, ok?

















