Cultbox

Literatura

amor no volume 25.

 

exatos vinte e oito minutos depois de se despedir, ele liga para ela em estado de euforia:

- cabeça, criei uma nova teoria.

- conta, amor.

- sabe o que é…

- me diz.

- então. criei uma nova teoria.

- qual? existe uma maneira de o ciclope ficar sem óculos?

- não.

- uma teoria sobre o capacitor de fluxo?

- não, linda.

- descobriu uma réplica do delorean por uma pechincha?

- também não. me escuta, por favor.

- achou um easter egg naquela frase do harvey dent sobre a hora mais escura da noite?

- não.

- alguma coisa a ver com watchmen?

- não, não.

- filme novo de matheus souza?

- não.

- livro novo de Efraim?

- hmmm… desisto.

- descobri que aquele aparelho do meu carro que chamam de som… sabe? ele mede o volume do meu amor por você.

- como assim?

- então, toda vez que eu saio da sua casa, ligo o som em qualquer música e o volume que eu coloco diz tudo. é incrível como ele me move. me faz dançar ridiculamente – hoje mesmo o motoqueiro riu de mim – e fazer essas coisas que você só faz… amando, né?

- seu nerdinho lindo.

[silêncio]


O velho, sua carapaça e a sensibilidade.

Hoje completa 91 anos do nascimento de um dos mais brilhantes poetas modernos do mundo. Nascido na Alemanha e radicado nos Estados Unidos, Heinrich Karl Bukowski ou simplesmente Charles Bukowski, foi autor de 6 romances e dezenas de contos, poemas e obras de não-ficção. O Velho Safado, como ficou mundialmente conhecido, trazia um estilo despojado, grotesco e muito mais vezes até um tanto asqueroso. Os personagens de Bukowski sempre tiveram um quê de auto-biografia. Em seu romance mais inspirado, Misto Quente, o poeta relatou as dificuldades de um jovem imigrante alemão, e colocou no personagem muito de si mesmo. Era assim que ele construía os seus personagens, baseado nas próprias experiências de vida. Pensões de quinta categoria, becos, bebedeiras e relacionamentos conturbados foram o alimento da obra de Bukowski que, por trás de todo o sofrimento, revolta e violência, trazia uma forte carga de sensibilidade. É aí que ele se fez um poeta brilhante. Em meio à carapaça dos seus personagens, liberou pureza, singeleza e muita poesia, fazendo dos seus livros verdadeiras lagartas. A medida em que lê, o leitor espera ver até aonde vai a frieza e o naturalismo dos personagens e se deleita, quando percebe que, mesmo ali, existe pureza.

         Se comparada a de outros escritores, a obra de Bukowski pode ser considerada rica, extensa e, sim, variada. Uma contribuição, no mínimo, grandiosa, de quem viveu nos guetos americanos e teve uma vida tão sofrida. Bukowski não foi um beberrão que relatava as suas experiências de vida. Ele foi um poeta com singeleza e uma visão otimista que o mundo precisa nutrir cada vez mais.

Abaixo, alguns livros que eu indico. Lembrando que eu não sou nenhum especialista, só um fã da obra desse cara:

Misto Quente

Ao Sul de Lugar Nenhum

Notas de um Velho Safado

Pulp

Factotum


Fup

Díficil falar sobre algo que você mal sabia que existia e quando fica sabendo da existência, encontra uma legião de fãs sobre o assunto.

O assunto é FUP. E não se trata de nenhuma faculdade do interior paulista ou de uma federação de algum esporte esquisito.

Fup é a obra-prima do escritor americano Jim Dodge.

Não. Obra-prima não está acidentalmente na frase anterior. Talvez a primeira impressão que se tenha ao pegar o livro não seja que se trata de algo tão grandioso. Porque não é. O livro é fino, a capa da edição em português é triste de feia e a história é simples. Sim, bem simples. Mas talvez isso que faça o livro ser tão genial.

Fup é uma pata. Gorda. E que não sabe voar. E entra na história, por acaso. Talvez só para pontuar a relação de Vovô e Miúdo. Avô que cria o neto de uma forma não convencional e que, com mais de 90 anos, garante ter atingido a imortalidade através do uísque caseiro produzido seguindo a receita dada para ele por um velho índio.

No início, o ritmo da história, a forma fantástica que os eventos vão acontecendo me lembraram um pouco Peixe Grande. Mas não tem muito mais a ver. Peixe Grande trata-se de uma odisseia fantástica e da conflituosa relação de pai e filho, fantasia e realidade. A relação de avô e neto em Fup talvez se assemelhe um pouco visto que o neto foi criado pelo avô, mas passa longe do conflito que se encontra em Peixe Grande.

É um livro de leitura fácil e que vale o investimento e o tempo (curto) gasto pra lê-lo.

O livro criou uma legião de fãs pelo mundo porque tem um estilo próprio e que foi replicado e tornou-se padrão no jeito de se contar história na literatura atual. Não foi o único livro do autor. Mas foi o único que atingiu esse status. O que me faz lembrar de Pedro Páramo (aí sim o livro único de Juan Rulfo) e de Ana-não (de Agustín Gómez-Arcos) que são livros que tem o que mais se encontra na fantasia de Fup. Humanidade.


The Just City | Trip

As mudanças nas cidades ao longo do tempo, a forma como pensar em seus meios de transporte, nas oportunidades que elas teoricamente oferecem e o futuro. O vídeo abaixo mostra um pouco isso.

The Just City from The Lifelong Friendship Society on Vimeo.

 

E esse vídeo me lembrou uma bela entrevista nas Páginas Negras da TRIP deste mês com o ex-Talking Heads, David Byner que há alguns anos é ativista, digamos, das bicicletas. Ele levantou essa bandeira de duas rodas e está pedalando esta ideia pelo mundo através de palestras em congressos e fóruns sobre urbanização e também com seu livro que foi muito bem indicado pela Trip, o Diários de Bicicleta.

O título do livro é uma sátira ou, como ele mesmo diz na entrevista, uma brincadeira com o livro de CHE, Diários de Motocicleta.  E se a TRIP indica, meu caro, eu indico junto. Sim, sim “maria vai com as outras”.

Se você não comprou a Trip deste mês, COMPRE. Se você ainda não anda de bicicleta, ANDE, e se você ainda não acha que a magrela é importante na revolução urbana que vivemos, MORRA.

A entrevista completa está aqui.

 


Não Leia

A cena é clássica.
A mãe diz para o filho “Menino, não pegue nessa panela que está quente.”
Na sequência está o menino com ataduras nas mãos por ter pego na panela de brigadeiro extremamente quente.
Não adianta dizer pra não fazer. As pessoas vão lá e fazem. Simples assim.
Não fume.
Não estacione.
Não ande pelo acostamento.
Não tome seu Santo Nome em vão.
Não leia.

A gente vem sempre aqui indicar um filme fodástico que vimos. Um artista impressionante que descobrimos. E acabamos não olhando para quem está perto. Nesse caso, do meu lado. Meu dupla aqui na agência. E participante desse blog. Igor Moura.
Você já leu o Não Leia?

Pois é. Nesse caso, você estará cometendo um pecado se obedecer a ordem.

Mas o Cultbox é seu brother e vai dar essa forcinha.

O Não Leia é coluna fixa agora do blog.

Como Igor não escreve por encomenda, a gente não vai poder cobrar atualizações.

Mas como a gente não obedeceu a primeira ordem de não ler, a gente vai cobrar.

E, dessa vez, leia.


Era uma vez o amor, mas eu tive que matá-lo

Aqui ainda não é o post, são só adendos sobre o colombiano Efraim Medina Reyes. Mas você pode muito bem pular pro trecho entre aspas.

- O post não tem foto, porque a maioria das fotos do autor ou estão em baixa resolução, ou ele está nu andando de bicicleta, ou nu segurando alguma revista em quadrinhos.

- Se você não aguenta verdades duras e gosta de procurar significados profundos e entrelinhas que não existem, não leia os livros dele.

- Esse cara escreveu a coisa mais bonita que eu já vi sobre Kurt Cobain.

- Se você é fã de Garcia Marquez, eu diria pra você ler, mesmo que seja pra ficar com muita raiva desse cara.

- Talvez você tenha vergonha de pedir os outros livros dele numa livraria “conceituada”, então aqui vai uma sugestão: sebos ou www.estantevirtual.com.br (nesse caso, o google vai saber).

- Por último e não menos importante, isso ainda não é o post, porque eu não vou me atrever a escrever sobre qualquer escritor. ou talvez seja só “bundamolice” minha mesmo.

- Esquece tudo que eu falei e lê esse trechinho do livro.

- Ou simplesmente esquece tudo que eu falei.

“A gente se mete a escrever porque não foi capaz de bater num motorista que nos afrontou na rua, porque não quebrou pratos num restaurante, porque não enfrentou um policial louco que xingou sua namorada, porque não cuspiu num professor que dizia que a Terra é redonda, porque deixou que pegassem seu lugar na fila do cinema, porque não tem ofício nem benefício, porque pensa que é uma forma fácil de fazer fama e dinheiro, porque se paspalhos como García Márquez e Mutis fazem isso, a gente também pode fazer, porque não é bom em matemática, porque não quer ser médico nem advogado, porque está irado, porque odeia as pessoas e quer insultá-las.

A gente se mete a escrever porque uma garota linda lhe disse que gostava de escritores, porque precisa de um álibi para não trabalhar, porque isso o faz sentir-se superior, porque leu uns romances de caubóis e quer entrar na concorrência, porque é um caubói sem Oeste, porque escriturários como Vargas Llosa o fazem, porque não tem voz, porque não tem ritmo, porque pensa que tem alguma coisa a dizer, porque descobre que as garotas bonitas dizem que os escritores são ternos mas saem com mafiosos, porque não deixam dar um amasso na ganhadora do concurso nacional de beleza, porque é magro e não tem remédio, porque tem medo de morrer sem ter metido numa garota linda, porque se um puxa-saco hipócrita como Vargas Llosa escreve qualquer um pode fazê-lo, porque sabe que o cinema é tempo perdido, porque tem inveja dos micos que aparecem na tela e ganham milhões, porque na falta de melhores oportunidades quer ser como Bukowski.

A gente se mete a escrever porque não sabe lutar boxe nem tem colhões para isso, porque tem os dentes tortos e não pode sorrir como gostaria, porque para os impotentes de todo tipo não há outro caminho, porque todos os feios escrevem ou assassinam e a gente não é capaz de matar nem uma mosca, porque escrever dá importância, porque para chamarem alguém de escritor não é preciso escrever bem, mas para chamarem de filho-da-puta não importa se sua mãe é uma santa, porque tem medo de ficar à deriva sem fazer nada, porque não pode beber toda noite, porque ama a Deus mas odeia as sociedades sem fins lucrativos, porque não tem namorada, porque não há emoções mas insultos, porque na sua casa não tem televisão e o rádio quebrou, porque a mulher do vizinho é gostosa, porque tem medo de ficar careca e por isso evita os espelhos. A gente se mete a escrever porque não se atreve a assaltar um supermercado, porque ama a mulher e ela é namorada do garoto esperto da rua, porque não há revistas pornográficas suficientes, porque quer fazer alguma coisa além de cagar e se masturbar, porque não é o garoto esperto da rua nem o garoto forte nem o engraçado, porque é o garoto nada, porque não vale um tostão furado, porque apanha lá fora, porque sua mãe grita o tempo todo, porque não há ilusões nem luz no fim do túnel, porque sua mãe grita o tempo todo, porque sua mente voa baixo e nunca será outro Cioran, porque não tem coragem para saltar, porque não quer a esposa feia que merece, porque tem medo de morrer sem ter comido um belo cuzinho, porque não tem pai, amigos, nem fortuna, porque não tem o jeito de cuspir do Clint Eastwood, porque se paralisa entre uma e outra intenção, porque era uma vez o amor mas eu tive que matá-lo.

O bom é que escrever não serve para nada daquilo que a gente quer. Escrever é um limite, uma dor, um defeito a mais. O bom é que depois de escrever a gente se sente péssimo. Nada mudou, tudo continua no seu lugar (menos você, maldito cabelo), Pelé não volta para o campo. O ruim é que você escreve e o Pambelé cai na lona espancado por um gringo, um maldito gringo que esteve preso por bater na mãe. O ruim é que Pambelé não é a mãe do gringo e – por mais que você escreva – continua caído. O bom é que você escreve e continua sonhando com a mulher do vizinho, sonha que a agarra pelas orelhas e crava-lhe a rola. O ruim é que escrever não cura seus desejos assassino, que assaltar um supermercado continua sendo o seu objetivo impossível. O ruim é que ainda deseja um amor inesquecível. O ruim é que escrever serve para tudo aquilo que você não quer.”

Se você chegou até aqui, isso também é um post do Clube do Livro.
O primeiro que comentar, ganha esse livro. Merecidamente.


Clube do Livro

A primeira regra do Clube do Livro é você DEVE falar sobre o Clube do Livro.

Isso mesmo. Espalhar pra todo mundo a ideia.

E qual seria a esse ideia?

O Cultbox (pelo menos o autor desse post) vai disponibilizar um livro por semana para os leitores do Cultbox. (Ou pelo menos tentar que seja um por semana, mas se passar só uma semana sem, tá valendo…)

E como funciona? Bem, o primeiro leitor que postar um comentário dizendo que quer o livro e deixando seu email, a gente vai lá e manda.

Seja um leitor de Recife, de Porto Alegre, de Paris, Oslo… Whatever!

Essa historinha num é nada revolucionária nem nada…

Já existem sites bem mais organizados pra isso como o bookmooch.com e o www.trocandolivros.com.br.

Que aliás, recomendo muitíssimo.

Mas queria fazer algo no nosso blog e ver como anda o interesse das pessoas por leitura.

Veja só, você não vai pagar nada. Só precisa deixar um comentário.

Se quiser mandar algum livro pra mim de volta, você terá o endereço e só vou poder agradecer a gentileza…

Pra começar, não poderia escolher outro tema que não fosse tão familiar ao Cultbox quanto o Rock. Escolhi um livro que me diverti bastante lendo. Eu sou Ozzy.

O livro é uma autobiografia do mito do rock, John Michael Osbourne.

Conta desde sua infância de aluno problemático a transformação do Metal com a banda Black Sabbath e sua carreira solo.

Tudo isso recheado de drogas e muito bom humor (E mal humor algumas vezes, é verdade).

Bem…

Já estou esperando sair o primeiro comentário… E já escolhendo aqui na prateleira o próximo livro…

E só pra deixar claro, só consegui pensar claramente na primeira regra. O resto segue working in progress, ok?

 


50 anos a mil.

Sabe quando você tem um preconceito com alguém, quebra a cara, acaba gostando e admirando o cara? Eu gosto muito dessas experiências. De verdade.

E ler o livro 50 Anos a Mil, de Lobão, foi isso. O livro tem 500 e poucas páginas e já começou por aí: será que Lobão tem tanta história assim ou era pra encher linguiça?

Tem. E outra, muitas, das boas histórias do rock’n roll brasileiro estão lá. Muito bem contado, muito bem escrita, vale ressaltar. O cara viveu uma época intensa do rock, nos anos 70 e 80, junto com Cazuza, Lulu Santos, Ritchie, Júlio Barroso e outros nomes da música que você talvez nem saiba quem são.

João Woenderbag Filho é um cara muito inteligente. Ele não é um cara que aprendeu duas dúzias de palavras difíceis, como eu imaginava. O repertório cultural dele é muito vasto e ele é um músico como poucos no país. Eu respeito Lobão. Até porque as chamadas “polêmicas” que Lobão faz questão de reverberar, não são por picuinha ou simplesmente pra ser um cara que alfineta e atira pedras por aí não. Ele fala porque entende de música e como ele mesmo diz sem problema nenhum “Eu sou um músico do caralho”.

Você descobrir o processo de composição de um artista é algo fantástico. Passo a passo, de acordo com os acontecimentos da vida dele e os insights.

O livro tem de tudo. Envolvimento com drogas, a história emocionante de sua mãe, as crises familiares, problemas com a Justiça e a prisão do músico. O livro também conta o envolvimento com a organização criminosa Comando Vermelho, que começa depois de uma temporada na cadeia. Além de tudo, as críticas a Herbert Vianna, a quem Lobão acusa sem panos quentes de plágio. Quanto a isso, eu prefiro que você mesmo compare.

Só tenho uma observação: ao invés de duas músicas, Lobão devia disponibilizar um disco inteiro pra os leitores do livro baixarem.

Compre. Não peça emprestado.


Se você não sabe a resposta para a vida o universo e tudo o mais, pare por aqui

peter, agora numa espécie de comic con brasileira, encosta na menina fantasiada de princesa leia.

- Oi. Posso ser seu Luke Skywalker?

- Ok. Você pode ser meu irmão.

- Mas a princesa leia beija ele.

- tchau, peter.

- espera. sério. eu tô apaixonado. eu quero ler quadrinhos pros meus filhos com você.

- corta essa.

- imagina, a festinha de um ano dele com o tema “senhor dos anéis”, cheio de hobbitzinhos espalhados pela sala?

{meio sorriso}

- você pode ser o mestre da minha dungeons & dragons.

- não gosto de d&d. prefiro final fantasy.

- acabei de ter uma matrix com nós dois. passou tudo aqui na minha frente. eu, você e as crianças.

- você na sua casa e eu na minha, né?

- 42.

- eu sei que o é 42, peter. li o guia do mochileiro das galáxias 3 vezes. douglas adams é meu escritor favorito.

- não. não é isso. esse é o quadragésimo segundo fora que eu levo tentando cantada nerd.


O velho safado na sua melhor forma

Todo mundo deve ter lido ou, pelo menos, ouvido falar em Charles Bukowski. Alemão radicado nos Estados Unidos ele é considerado um dos maiores expoentes da “literatura marginal”. Aspeado, porque o escritor alcançou o mundo todo com os seus livros.

Dentre eles, está Misto Quente. O romance conta a história do Alter-ego de Bukowski, Henry Chinaski. Marginalizado no colégio, com sérios problemas de acne e, constantemente, alvo da violência do desequilbrado pai. Tudo está na história publicada pelo autor em 1982. Pra mim, o mais legal é que apesar de toda a violência sofrida pelo protagonista, o uso desenfreado de álcool e toda a instrospecção, existe uma sensibilidade quase gritante. Já ouvi alguém dizer que o livro era a história de um depravado alcoólatra, mas acho que o velho safado foi além disso. Por trás da carapaça de Chinaski existe uma carência, um interesse por literatura, especialmente por poesia, e admiração por gestos bondosos e expressões singelas.

Talvez nem ele tenha percebido à época, mas escreveu um dos romances modernos mais bacanas. Pelo menos na minha opinião que, claro, não deve ser tomada como verdade. Mas eu peço: leiam. É fantástico.


12 retratos de escritores

Por Renato Parada
“A ideia que tenho de fotógrafo não é das melhores. Penso em um sujeito desconhecido que chega, com uma câmera na mão, pedindo para o fotografado repetir gestos e expressões, colocando-o muitas vezes em situações ridículas, repetindo tudo, à exaustão, até o sujeito do outro lado da lente ficar cansado e, talvez, se sentindo a maior fraude do mundo.

É o que imagino que as pessoas esperam de mim quando vou fotografá-las. Quando o retrato é de escritores, esse contrangimento antecipado piora um pouco. São pessoas inteligentes, com senso estético apurado, acostumados e muitas vezes cansados de lidar com a imprensa.

Lembro da última vez que José Saramago veio ao Brasil. A Companhia me contratou para fotografá-lo. Haveria uma rápida e reservada sessão. Apenas eu e outro fotógrafo de uma rede de tevê em que Saramago dava uma entrevista.

Meu colega foi mais rápido e avisou que seria o primeiro. Após os primeiros cliques, ele pediu para um Saramago que acabara de escapar da morte: “Dê um sorriso!”. Recebeu como resposta algo mais ou menos como “Não acho que meu sorriso em fotos transmita algo de sincero”.

Quando chegou minha vez, não troquei nenhuma palavra. Fiz poucos cliques. Ele estava cansado, e rapidamente dei por encerrada a sessão. A foto não ficou tão boa como eu imaginava. Fiquei um pouco decepcionado, me questionando se não deveria ter insistido um pouco mais.

O desafio de fotografar qualquer pessoa é fazê-lo da forma mais rápida possível, sem incomodar muito, e ao mesmo tempo dar significado a um momento com grandes chances de passar despercebido.

O resultado dessa comunicação, que aparentemente acontece de forma precária em contraponto com as infinitas possibilidades da fotografia, é o que tanto me fascina e surpreende durante as sessões.

Uma lembrança marcante é de quando, também para a Companhia, fui fotografar o escritor e historiador da USP Boris Fausto. Boris passava por um momento dificílimo. Acabara de perder sua esposa. Porém, me recebeu de forma excelente. Sua aparência era de uma força enorme.

Mais tarde, me disse que estava difícil disfarçar sua angústia. As fotos foram feitas e tudo ocorreu bem. Pedi algumas variações, porém sem saber na hora o resultado daquilo. Quando fui editar o material, a foto abaixo me chamou a atenção em especial.

Não conseguia tirar o olho dela, e na hora não sabia muito por quê. A sensação era de que Boris tinha me dado uma espécie de lembrete de esperança ao mesmo tempo em que vivia um difícil sentimento de perda.
Lembrei dessa e de outras histórias ao selecionar as fotos para minha exposição “12 retratos de escritores”, que faço a convite de Marcelino Freire para a Balada Literária. A exposição acontecerá na Livraria da Vila do dia 19 de novembro a 08 de dezembro. Todos estão convidados”.


via @lulina e Blog da Companhia das Letras


Se você não sabe o que é o capacitor de fluxo, não leia

ImageHost.org
pedro, que se auto-apelidou de peter, por causa do parker, era um nerd como outro qualquer. ou melhor, quase isso. ele pegava mulher. pegava.

- “você sabia que originalmente o pac-man era chamado de puck-man? mas mudaram, porque ficaram com medo das piadinhas. o pessoal ia trocar o”…

- “‘p’ pelo ‘f’ e falar… você sabe, né?” Scott Pilgrim Vs The World.

[silêncio] ele insiste.

- eu já te disse que você é linda? você não quer ser a minha penny?

- the big bang theory, pedro. ela é loira, eu sou morena.

- peter. as pessoas me chamam de peter.

- desculpa, peter.

- então, gata? de que lado da força você está?

- isso ainda funciona? sério?

[silêncio] ele insiste. de novo.

- “grande garota! Acho que vou matá-la ou me apaixonar por ela”.

- star wars ainda fuciona? essa do han solo eu ouvi umas 5 vezes só na balada do sábado passado.

- engraçado. “você me faz querer ser um homem melhor”.

nesse momento, os olhos dela ficam marejados.

- essa do melhor impossível rolou no happy hour da firma na sexta passada. e funcionou. hoje não.

- eu juro. com você meu coração chega a 60 mph em 6,3 segundos.

- desculpa. já fiquei com outro marty mcfly mês passado.

[silêncio]

[silêncio]

- porra. porra. mil vezes porra. odeio essa moda nerd.


Eu compro livros pela capa

ImageHost.org
Não sei você, mas sou do tipo que é capaz de comprar livros pela capa. Já me dei muito bem algumas vezes, como por exemplo quando levei pra casa o Último Reino, de Bernard Cornwell, seguindo um boato de que a edição nacional ganharia uma nova roupagem e a versão metalizada viraria artigo de colecionador. 2 anos depois ainda dou de cara com o mesmo livro na prateleira, mas nem por isso me arrependo de ter um exemplar bonitão em casa – e também excelente romance, vale salientar. Minha última aquisição nesse quesito foi Nova Yorque Delirante, de Rem Koolhaas. Fui literalmente hipnotizado pela arte e o acabamento do livro, já que em outro contexto, passaria batido – não era assíduo frequentador da sessão de arquitetura e urbanismo, agora até que dou umas passadinhas por lá de vez em quando.

Ainda bem então que as capas criadas por Jim Tierney para os clássicos de Julio Verne não passaram de um projeto de conclusão do curso da University of the Arts da Philadelphia – ou pelo menos por enquanto. As capas de 20.000 Léguas Submarinas, Viagem ao Centro da Terra, Volta ao Mundo em 80 Dias e Da Terra à Lua, possuem todas uma dose de interatividade que tornam o design e as ilustrações ainda mais embasbacantes.


ImageHost.org
ImageHost.org
ImageHost.org
ImageHost.org
ImageHost.org

Para saber um pouco mais sobre o processo por trás deste projeto, incluindo desenhos e comentários, leia o artigo publicado na FaceoutBooks.
 
Quer saber, isso de querer livros pela capa  bem que poderia virar uma sessão aqui no blog, não é? Até já sei sobre qual livro será a próxima edição. E se você também quiser contar a sua história sobre capas de livro, escreve pra gente. Quem sabe a gente não publica?


Classificação

ImageHost.org
Eu tenho uma classificação na minha cabeça para coisas que eu gosto muito. Tenho um sério problema com a palavra genial e às vezes sinto que uso ela com uma facilidade muito grande, as vezes até sem perceber. Pra remediar essa impulsividade, eu criei as categorias Deus (O próprio) , Fuckin Genius (Tarantino), Gênio (Danilo Portela. Se você não conhece, é bom conhecer) , Bom pra cacete (na verdade eu digo bom pra caralho) e Bom.

Por indicação da nossa leitora/amiga/colaboradora Nathália Cunha (aqui no blog mesmo. Post bem melhor que esse), eu fui conhecer Nick Hornby. Um fuckin genious inglês, torcedor do Arsenal, pirado em música e isso tem tudo a ver com o que eu vou falar. Na verdade, só a parte da música.

Fui ler Alta Fidelidade com pouca expectativa, porque tinha lido Juliet Nua e Crua e achei que se encaixou no Bom. Quando li Alta Fidelidade, descobri porque ela é obra prima de Hornby. E mais, fiz uma experiência de ver o filme no mesmo dia que terminasse de ler o livro.

Embora todo mundo ache que filmes que são baseados em livros são ruins e infiéis, esse entrou no meu top 5 de “ Filmes/livros que os meus filhos DEVEM assistir/ler ”. Só pra explicar, o ator principal é maluco por top 5. E se prepare, porque isso contagia.

O livro tem alguns detalhes que o filme – pela clara limitação de tempo – não tem e algumas pequenas coisas que enriquecem ainda mais a história. Mas o filme é muito fiel, com desconhecidos interpretando perfeitamente e conhecidos interpretando fantásticamente. John Cusack, Catharine Zeta Jones e Jack Black no papel da vida dele. Ainda sobre os atores, atentem para o personagem Dick (Todd Louiso ). O cara é bom pra cacete (bom pra caralho).

Atentem para a ordem: Livro e filme, entendeu? Filme no mesmo dia que terminar o livro, entendeu? Eu sei que entendeu, você não é idiota. Desculpa a ofensa. É reflexo dos dias passados com Rob Fleming/Gordon.

O importante é que você deve ler e assistir.

Agora por favor, alguém me ajude. Quero saber se De Volta Para o Futuro 1 e 2 podem ser considerados como um só filme, pra eu poder encaixar Alta Fidelidade no meu Top 5 de “ Melhores filmes da vida inteira até o presente momento ”.


Scott Pilgrim Conquista o Mundo

ImageHost.org
Você tem certeza de quão nerd é quando sua namorada te dá um HQ de presente no Dia dos Namorados e ainda diz que achou a sua cara. Ok, tomei uma pequena licença poética, ela não chegou exatamente a dizer isso, mas se tivesse lido Scott Pilgrim, o HQ, com certeza teria sido uma constatação óbvia.

Isso porque Scott Pilgrim, agora falando do personagem, é exatamente assim como eu ou você, (corte seco)

- PAUSA PARA MOMENTO DE AUTO-REFLEXÃO -
Enquanto lê este texto você:

a. ( ) Provavelmente está “fazendo backup” de algum disco ou filme na internet.
b. ( ) Ou, pelo menos, ouvindo música no headphone.
c. ( ) Não, não é brega, nem pagode e, muito menos, Maria Gadú.
d. ( ) Admite que entrou no Cultbox em busca de algum assunto bem nerd.
e. ( ) Todas as alternativas anteriores.

Caso a resposta tenha sido positiva para a maioria das questões, você já pode continuar a leitura.

…um cara que veste a camisa da banda preferida (Nirvana o/, Pearl Jam o/, U2 o/) acha que toca algum instrumento, vive no perrengue, tem um punhado de amigos esquisitos, mas que o que realmente busca é resolver a vida amorosa, nem que isso signifique ter de enfrentar os sete ex-namorados do mal da dita cuja (não, não é esse o meu caso).

ImageHost.org

Scott é o herói da resistência nerd mas que não tem nada de loser. Na verdade é um tremendo Mr. Nice Guy.

A história se passa no frio Canadá e é recheada de referências à cultura pop, a começar pelo traço fortemente influenciado pelos mangás. Parte de uma narrativa descontraída sobre as intempéries da vidinha cotidiana para uma aventura tão louca quanto a mais louca aventura dos video-games. Ou vai dizer que encanador dar porrada em crocodilo e ainda ganhar modinhas com isso é a coisa mais normal desse mundo?

ImageHost.org

É a obra da vida de Bryan Lee O’Malley, como ele mesmo escreve ao final do primeiro volume. Sua única meta era ficar rico. Até o presente momento ele ainda não é muito rico, mas isso deve mudar assim que a adaptação da HQ chegar aos cinemas, em agosto (já falamos sobre isso aqui).

No Brasil, Scott Pilgrim foi lançado em três volumes pela editora Quadrinhos na Cia. A primeira parte já pode ser encontrada nas melhores livrarias (só faltou o patrocínio pra encaixar aqui. $$$).


Você conhece Nick Hornby. Só não sabe disso ainda.

É isso mesmo. Talvez você não saiba que ele é careca, tem 52 anos, é louco por futebol e que seus livros ocupam a primeira prateleira à esquerda, logo que você entra na Livraria Cultura. Mas acredite em mim, você o conhece.



Porque eu tenho certeza que você já gastou poucos 10 minutos da sua vida no canal TNT e viu passando “Um Grande Garoto”, aquele filme onde o Hugh Grant é um trintão esquisito e cheio da grana que conhece um adolescente esquisito e sua mãe mais esquisita ainda (e sim, esse é um filme esquisito, mas adorável).



E naquele dia em que o dentista te deu um chá de cadeira de duas horas, você resolveu prestar atenção no que estava passando na TV de 14 polegadas da recepção e viu a Drew Barrymore na Sessão da Tarde, se apaixonando por um cara aparentemente perfeito, mas que era louco demais por futebol.



E sabe aquele seu amigo entendido de música? Pronto, ele já deve ter te enchido os ouvidos pra você conhecer a trilha sonora de um filme chamado “Alta Fidelidade”, que é talvez até mais famosa do que o próprio filme.



Viu só, você o conhece. Porque os três filmes citados aí em cima são baseados em livros desse inglês, que virou queridinho da estante de quem gosta de música, cultura pop e boas histórias. Não necessariamente nessa ordem.



Nick Hornby entrou em minha vida através dos créditos de “Alta Fidelidade” e, desde então, 5 de seus 9 livros já passaram por esses dedos que vos digitam. Tiradas inteligentes, histórias inusitadas, personagens cativantes (e normalmente, fracassados em alguma coisa, pra gente se identificar) e muita, muita referência à música são a receita para retratar uma geração que fez da Cultura Pop (especialmente da música), sua melhor amiga.



Deixo aqui o desafio: comece a ler um livro do cara e consiga passar mais de uma semana com ele nas mãos. Não vai ter sono, ônibus, aula, hora de almoço ou cinema com o namorado(a) que te faça não querer chegar logo na última página.

Então, eu termino esse post homenageando Rob Fleming. Personagem de “Alta Fidelidade”, recém abandonado pela namorada e maníaco por Top’s 5, e vou deixar aqui o meu.



O tema é “Livros do Hornby que você tem que ler”:

1) Alta Fidelidade


2) Uma longa queda


3) Um Grande Garoto


4) 31 Canções


5) Juliet, Nua e Crua*





*Esse último eu ainda não li, mas foi (finalmente) lançado em português há poucos dias, e é claro, não vai escapar da fatura do meu cartão de crédito esse mês.


Leitura obrigatória

Algumas coisas de nossa infância ficam para sempre gravadas na mémoria. Para mim, Dinotopia foi uma delas. Lembro do meu primo Paulinho voltando de uma viagem à São Paulo, todo orgulhoso, com um livro enorme embaixo do braço (eram tempos pré-internet, não existia cultura de qualidade disponível em qualquer lugar). A capa luxuosa trazia a ilustração fantástica de um homem envolto pelas asas de um pteródáctilo. Era algo que nunca havia visto antes. Dinotopia – O Mundo Subterrâneo foi o primeiro livro com mais de 100 páginas que li, e o fiz em apenas um dia, tamanho era o fascínio.

A história de O Mundo Subterrâneo se passa em 1862, quando o naturalista Arthur Denison e seu filho Will escapam de um naufrágio e vão parar na ilha de Dinotopia, onde seres humanos convivem em harmonia com dinossauros. Brontossauros e pterodáctilos são usados como meios de transporte e, para variar, a ameaça vem dos terríveis tiranossauros que habitam florestas ao redor das vilas. O principal desses centros urbanos, a Cidade das Cachoeiras, é o lugar em que o cientista acaba construindo um pequeno submarino com o qual descobre um mundo subterrâneo. Lá, encontra habitantes e tecnologias ainda mais incríveis que os da superfície.

O autor, o artista gráfico americano James Gurney, famoso por suas ilustrações sobre arqueologia e civilizações perdidas para a revista americana National Geographic, consegue a proeza de colocar o leitor dentro desse mundo fantástico. O mesmo universo é explorado em outros três livros: Dinotopia: A Land Apart From Time, First Flight e Journey to Chandara.

Em 2002, o Hallmark Channel produziu uma minissérie televisiva de $86 milhões e foi até bem recebida pelo público, chegando a ganhar um Emmy por melhores efeitos visuais.

Site oficial: www.dinotopia.com