Cultbox

Cult

Aula de História

Se toda aula de história tivesse um curta assim, juro que teria aprendido bem mais.

A animação abaixo retrata a história do Castelo Real Varsóvia que é um ícone da Polônia.

Aqui está o desafio, se você é Pernambucano, faz um para o Palácio do Campo das Princesas. Ele já foi queimado, invadido e tudo mais. História pra contar ele tem. O desfio é transformá-la num curta.

Para quem não é da terrinha, segue uma foto do Palácio.

Segue, finalmente, a animação.


Ah, Michel Teló, se eu te pego…

Ninguém me entende, porque Ivete não deixa.

Hoje é tão difícil convencer alguém a ler mais de 5 linhas que eu desconfio que vou perder mais 15 minutos da minha vida tentando comprovar um ponto de vista que não interessa a quase ninguém. Mas, vamos lá.

Nós já tivemos Caetano, Chico, Jorge, Cartola, Tom, Tim, Vinícius, Gil, Gal, João Gilberto, Elis, Novos Baianos, Os Mutantes, Clube da Esquina, Roberto e Erasmo, isso porque estou escalando um time só com Pelés e esquecendo uma dezena de gênios por culpa da minha ignorância e pouca idade. Hoje nós temos os Pedro Sás, os Kassins, os Wados, os Amarantes, as Céus, os Ottos, os Fernando Catataus e uma mais de centena de grandes artistas na música brasileira; é tanta gente que qualquer nome que eu adicione aqui vai aumentar a injustiça.

Artista, ao contrário do que a grande massa brasileira deve acreditar, não é qualquer um que possa segurar um violão; ter a voz bonita também não faz a Ivete ou a Sandy serem artistas; se você sobe num palco, mesmo que abaixo dele tenham milhares de pessoas, mesmo assim, isso não faz de você um artista. Artista é, acho eu – e uma infinidade de pessoas – um Picasso, um Patativa do Assaré, um Chico Buarque. Ou seja: gente que faz arte. Pessoas que quando rabiscam alguma coisa num papel, quando cantam, quando produzem alguma coisa, estão pondo na frente de tudo a vontade de acabar uma obra, cheia de conteúdo, vazia, errônea, estúpida, não importa, pois a arte não precisa necessariamente ter uma função, mas é comum que tenha a intenção de acrescentar algo ao mundo, ou de não acrescentar nada, simplesmente para questionar a própria arte.

Não é a erudição que transforma qualquer coisa em arte, então, não é isso que faz Michel Teló ou Ivete não serem artistas. É simples mesmo. É só porque eles não fazem arte.

Qualquer pessoa no mundo tem direito de gostar de qualquer coisa. Ponto. Gostar e ser induzido a gostar são coisas diferentes. Ponto. Conhecer duas ou três coisas faz você ter a chance de escolher; logicamente, conhecendo apenas uma, você já sabe no que dá.

Quando um país erguia um ídolo, costumava ser porque ele fazia muito bem uma coisa. Claro, com o passar do tempo, pessoas espertas foram notando que erguer um ídolo também é uma chance de ganhar muito dinheiro. Michel Teló é um ídolo. Ivete também. Mas por favor, não chamem essa gente de artista. Não comparem o Neymar ao Pelé. Não achem natural pôr em pé de igualdde a Ivete e o Caetano, não, por favor. Não caiam nessa. Dancem, achem super divertido, compartilhem nas redes sociais, mostrem para o seu sobrinho – não para o meu filho – a música nova do Michel Teló e colem no sofá no especial de fim de ano com o Roberto Carlos cantando as mesmas músicas que ele canta faz 15 anos. Mas por favor, não achem isso o supra-sumo da cultura brasileira. Não sirvam de força propagadora para os espertos que só valorizam o dinheiro, pois há um monte de artista de verdade que também precisa de dinheiro; o Pedro Sá também paga conta de luz.

Parece que isso tudo é inofensivo, que é só mais um artista que apareceu e vai sumir, que é assim mesmo, o povo brasileiro gosta de coisa ruim, é natural e legítimo. Mas acontece que Chico não toca na rádio há 20 anos. Ivete tocou na rádio nos últimos 20 anos. Esse mesmo povo que foi pego por Michel Teló nunca teve a chance de ouvir Chico. A maioria dos pagodeiros que justificam seu gosto dizendo que aquilo “é música pra dançar”, nunca ouviram “Feijoada Completa” nem “A menina dança”. E já que essa mesma turma parece nunca ter triscado na boa cultura brasileira, é provável que eles também não se sintam encorajados a ler um Machado de Assis, discutir sobre o prefeito que vão eleger, pensar sobre qualquer coisa diferente do último capítulo da novela, estudar assuntos da própria profissão. Está todo mundo ocupado, ouvindo Ivete. Isso é mal para o Brasil, ou não? Um exemplo: alguém já ouviu um carro rebaixado tocando Vinícius para a cidade inteira ouvir?

Será que a falta de educação e a crescente falta de civilidade no brasileiro não têm nenhuma ligação com a maneira como estão sendo apresentados a eles esses novos ídolos, com a falta de cultura para onde o brasileiro está sendo empurrado? Será mesmo que não devemos nos revoltar nem um bocadinho ao ver que a Globo produziu um especial de final de ano que na prática fez todo brasileiro médio acreditar que Ivete pode ter valor cultural semelhante ao Caetano, será que é exagero achar que isso contribuiu mais ainda para o atraso de tudo? Quantos pequenos brasileiros não assistiram aquele especial e nem se tocaram de quem são Caetano e Gil? Em quantos concertos você já assistiu um dueto entre Bob Dylan e Britney Spears?

Eu sei que arte não salva um país e que todos os países têm suas porcarias. Mas os americanos não precisam – tanto quanto nós ainda precisamos – provar seu valor – a maioria do mundo acha que eles são donos do mundo -, os ingleses também não. Eles têm Bob Dylan e Beatles – e tantas outras coisas – e o mundo sabe disso. É triste constatar que alguns estrangeiros vão ouvir falar da música brasileira não por Caetano, mas por Ivete Sangalo, no Brazilian Day – e que por este e outros motivos, a mulher brasileira é lembrada no estrangeiro pelo “bumbum brasileiro”, “depilação brasileira”, “biquini brasileiro”, para não citar coisa pior. Nós temos tantas coisas boas e ruins quanto eles, mas precisamos implorar para ter um visto de trabalho nos Estados Unidos ou Europa. O brasileiro é visto lá fora como mal educado e talvez seja mesmo. Não vai ser propagando “Pererê” que vamos conquistar algum respeito. E eu arrisco, já que a educação é tão precária no Brasil, um Chico Buarque pode não salvar o país, mas ouvir antes do almoço faz pensar muito melhor.

Eu sei que parece difícil entender. Sei que pareço um velho falando dos artistas do passado, negando o sucesso do Michel Teló. Mas eu juro por Ivete mortinha, que mesmo hoje existem grandes artistas fazendo boa música, boa literatura, bom cinema e bom teatro, boa cultura brasileira, erudita ou popular, mas sei que existem. Conheço alguns. O que eles fazem dá pra ler quieto num canto ou dançar num churrasco, posso jurar.

Estou tentando explicar. Mas Ivete não deixa.


Asterios Polyp

Imagem da capa do quadrinho Asterios Polyp

Asterios Polyp não é uma HQ nova. Foi lançada em 2009 nos EUA e em 2011 no Brasil.
Mas depois de muita indicação/insistência (e empréstimo) de Berna Brayner, li nesse fim de semana.
A primeira leitura de 2012. E o ano não poderia começar com uma leitura melhor.

A história é simples. Asterios Polyp é um arquiteto (professor de arquitetura, de fato) bem sucedido que tem a casa destruída pelo fogo após uma noite de tempestade. Ao sair de casa apenas com a roupa do corpo e algum dinheiro na carteira, ele decide comprar uma passagem de ônibus para uma pequena cidade onde começa a trabalhar como mecânico. Enquanto se acostuma à nova vida, ele vai se relembrando do que aconteceu até chegar ali.

A narrativa não é o ponto forte. Mas o questionamento, a reflexão de Asterios Polyp, a sua visão dualista, dividindo tudo sempre em duas faces (razão x emoção, destino x livre arbítrio, Apolíneo x Dionisíaco) é o que torna a leitura tão rica e interessante e que permitiu ao autor David Mazzucchelli (conhecido pelo excelente trabalho com o Demolidor e o Batman) explorar um visual tão belo.

Cena do quadrinho Asterios Polyp

A arte de Asterios Polyp é impressionante. De cair o queixo. Uma verdadeira aula de arte/design/arquitetura.
O trabalho delicado de conferir a cada personagem uma tipologia específica define muito bem a personalidade de cada um e ajuda, em muito, a leitura e ordem dos balões
Asterios Polyp ganhou em 2010 quatro prêmios no Eisner Awards (o prêmio mais importante de histórias em quadrinho), entre os prêmios, o de melhor Graphic Album do ano.

Imagem da HQ Asterios Polyp


Uma noite ótima com Medianeras

Calma!

Não é nada disso que você está pensando.

Ontem fui com a patroa ver um filme, sem pretensão alguma ou grandes expectativas. Como geralmente ocorre, quando não temos expectativas com alguma programação, BUM! Ela nos surpreende.

Foi assim.

Sobre o filme:

Sabe aquela solidão coletiva, dentro do ônibus ou andando na rua ou almoçando só no shopping com fone de ouvido no máximo? Pronto. Medianeras é sobre isso. Sobre como esse mundo tão conectado tornou a comunicação pessoal, face to face (tá bom, bichei) tão difícil.

O filme tem um fotografia linda, poética que combina e muito com o texto super bem escrito. Tudo se encaixa. (dando aqui um pequeno e insignificante spoiler da abertura do filme, onde nela, já descobrimos o causador de todos os males da sociedade argentina). O protagonista nos diz: “estou convencido de que as separações, os divórcios, a violência familiar, o excesso de canais a cabo, a falta de comunicação, a falta de desejo, a apatia, a depressão, o suicídio, as neuroses,os ataques de pânico, a obesidade, as contraturas, a inseguridade, a hipocondria, o estresse e o sedentarismo são responsabilidade dos arquitetos e da construção civil. Destes males, salvo o suicídio, padeço de todos”.

PS.1: Vale ressaltar que esse filme foi indicado aqui no Cultbox por Lusenalto ou seja, esse filme é tão legal que vale receber dois posts no mesmo blog.

PS.2: As ‘medianeras’ são paredes cegas que dão para o prédio vizinho. Essa informação foi só para constar. Fiquei curioso para saber e achei legal deixar essa informação aqui.


Eu indico, Eu indico, Eu indico

O cara fica um tempão sem postar aí vai acumulando tudo.
Links para compartilhar.
Bandas e músicas para comentar.
Coisas legais que viu, ouviu e leu pra indicar.

Bem, hoje eu vou indicar.
E pelas quantidade de coisas acumuladas, vou indicar logo três filmes.
Dois estão em cartaz. Corram!
O outro ainda vai entrar em cartaz, quando isso acontecer, corram!

Eu indico. Medianeras.
Filme argentino. Blablabla. Trilha sonora bacana. Blablabla.
História moderninha. Blablabla. Atores muito legais.
Assiste logo o trailer.
Aliás, nem perca seu tempo. Vá logo pro cinema.
Preencha os blablablas acima com a sua opinião pessoal.
O resto é verdade.

Eu indico. Além da estrada.
Um road movie uruguaio bem interessante.
Tá. O interessante foi a falta de um adjetivo melhor.
Não é o melhor road movie que já vi. Mas é uma história legal.
E que cativa quem sente essa coisa que dá em quem gosta (muito) de viajar.
Essa coisa de conhecer novas pessoas. De admirar novas paisagens.
De falar várias línguas. E de conhecer lugares que tem algo de especial pra contar.
Pra falar da história vou apelar para o trailer de novo…

Eu indico. As Canções.
Documentário nacional de Eduardo Coutinho.
Tem música pra tudo, né?
Música pra se acordar. Música pra se divertir.
Música pra trabalhar. Música pra se divertir trabalhando.
Música pra amar. Música pra amar (no outro sentido)
E tem música que marca um relacionamento.
“Olha amor, é a nossa música.”
Seja uma música que você cantou para a namorada completamente embriagado.
Seja uma música que conta exatamente a história dos dois.
Em As Canções, ouvimos as histórias que foram marcadas por uma música.
Relatos apaixonados, histórias complicadas…
Para muitos pode não ser o melhor filme de Eduardo Coutinho.
Mas como foi o único que vi, gostei muito.
E indico.


Bom Feriadão.

 

#BomFeriadão

 


Menagerie

Menagerie é uma série de pinturas de animais formados por polígonos
da artista canadense Laura Bifano.

Inspirada pelo seu amor a natureza e os games mais clássicos, ela criou essas imagens.

Você pode encontrar mais no site dela: laurabifano.com


Joe Fenton – Inacreditável

Sempre que encontro trabalhos como o de Joe Fenton fico de cara. Não é possível que alguém apenas com 1 lápis consiga fazer trabalhos tão bonitos. Não pode. Já mostrei em outro post aqui no Cultbox o máximo que consigo chegar com um papel e um lápis e não é muito longe.

Fiquem com o belo trabalho de Joe.

Boa semana.


Não é só Beatles

Eu sei, eu sei. Faz um década que não posto nada no Cultbox, mas para tirar o atraso, aí vai um bela dica:

Estava em casa um dia desses rodando a programação, quando me deparei com o programa “Anos 60: A década dos Beatles”, no canal VH1. Uma boa dica para você que é muito fã e para quem é que nem eu, escuta mas não tão fã assim.  A idéia não é só falar dos integrantes ou da qualidade da música. O foco é mostrar as transformações da década (moda, cultura, comportamento) e como os Beatles influenciaram isso. Lembrando que neste período, estava ocorrendo a Guerra Fria e que nenhuma banda tinha alcançado um patamar tão alto e nem tinha sido um  ícone tão forte da cultura pop e jovem até então.

Eu achei muito bom e agora sempre que passa, assisto.

Como estou fazendo um “jabá gratuito” vou aproveitar para elogiar o  canal que tem documentários sobre grandes bandas como Rage, Rolling Stones, Guns N’ Roses, Led Zeppelin, entre outras.

Se você não tem VH1 em casa, compre, seu pão-duro. Vale a pena.


Adeus ao pensador diferente

Senhor inovação

Desde o princípio, quando montou a empresa que se tornaria a maior referência em tecnologia do planeta, Steven Paul Jobs trouxe uma preocupação, que permeou a sua vida do início ao fim: facilitar o acesso à tecnologia para todos os tipos de pessoas. Esse é apenas um dos pontos destacáveis do business-man norte-americano falecido nessa triste noite de 5 de outubro de 2011. Jobs atendeu à necessidades que, sequer, foram identificadas, com os vários produtos lançados pela sua empresa, a Apple Computer. Fundada no vale do silício, em janeiro de 1977, a empresa desenvolveu o embrião do que viria a ser o primeiro computador pessoal do mundo. Foi a dupla Jobs/Wozniak, quem mostrou que os computadores tinham, sim, aplicação doméstica. Ou seja, você está mexendo no Mouse, nesse instante, pra rolar a tela e continuar a ler a esse texto graças a eles. Depois de travar um embate, primeiro, contra a IBM, a Apple disputou, durante anos, com a Microsoft, inicialmente apenas mais uma empresa do segmento, o mercado mundial de computadores e softwares. Sempre um passo à frente e mesclando arte à ciência Jobs teve grande peso no status em que se encontra hoje o computador pessoal.

 

Depois de muitas polêmicas, brigas e uma inovadora abertura de capital, Steve Jobs foi “demitido” da própria empresa. A partir daí, ele ascendeu como empresário e a sua antiga empresa tomou o rumo contrário e quase faliu, até a sua volta, em 1997. A partir daí, a Apple voltou ao status inicial e se consolidou como a maior empresa de tecnologia do mundo. Vieram o Imac, o Ibook, o Ipod, o Iphone e, em seus últimos suspiros como presidente, o Ipad. Sucesso? Mais do que isso, a Apple ditou a forma como as pessoas ouvem música, se comunicam e trocam informações. Aposto que tem alguém lendo esse texto a partir de um Smartphone. Conceito esse desenvolvido, aprimorado e difundido pela empresa da maçã. Jobs deixa um legado difícil até de ser mensurado. Exaurido, ele perdeu a batalha para o câncer, contra o qual lutava desde 2004. Uma vez eu ouvi que o mundo precisava de insensatos, de pessoas que discordavam do que já estava estabelecido. Steve Jobs foi um insensato. Talvez um dos maiores do seu tempo, que tem nomes como Henry Ford e Jack Welch. Graças a Deus que o mundo é cheio deles e graças a Deus também que Jobs nasceu aqui, nesse planetinha nosso. Sem ele, a terra ainda estaria alguns milhares de anos luz pra trás.


amor no volume 25.

 

exatos vinte e oito minutos depois de se despedir, ele liga para ela em estado de euforia:

- cabeça, criei uma nova teoria.

- conta, amor.

- sabe o que é…

- me diz.

- então. criei uma nova teoria.

- qual? existe uma maneira de o ciclope ficar sem óculos?

- não.

- uma teoria sobre o capacitor de fluxo?

- não, linda.

- descobriu uma réplica do delorean por uma pechincha?

- também não. me escuta, por favor.

- achou um easter egg naquela frase do harvey dent sobre a hora mais escura da noite?

- não.

- alguma coisa a ver com watchmen?

- não, não.

- filme novo de matheus souza?

- não.

- livro novo de Efraim?

- hmmm… desisto.

- descobri que aquele aparelho do meu carro que chamam de som… sabe? ele mede o volume do meu amor por você.

- como assim?

- então, toda vez que eu saio da sua casa, ligo o som em qualquer música e o volume que eu coloco diz tudo. é incrível como ele me move. me faz dançar ridiculamente – hoje mesmo o motoqueiro riu de mim – e fazer essas coisas que você só faz… amando, né?

- seu nerdinho lindo.

[silêncio]


Retrospectiva Stanley Kubrick

A quarta edição do Janela Internacional de Cinema do Recife (4 a 13 de novembro) vai exibir
a obra completa  de um dos diretores mais admirados da história do cinema.

Além da cópia restaurada de Laranja Mecânica (que eu já vi umas 20 vezes – e vou assistir
a 21ª se o horário permitir), vai ser uma oportunidade de ver filmes fodásticos como Glória Feita
de Sangue, Dr. Fantástico, 2001: Uma Odisséia no Espaço, Barry Lyndon, O Iluminado,
Nascido para Matar.

Os filmes vão ser exibidos no Cinema São Luiz, mas a programação ainda vai ser divulgada.
Vamos todos?

Ah. Essas imagens feitas em “cinemagraph” foram feitas por Gustaf Mantel.

Penny? Penny? Penny?


Ibai Acevedo

“Encontrei uma linguagem que trabalho com mais de mil palavras para cada imagem.”

Ibai Acevedo é um fotográfo catalão de Barcelona que tem um portifólio inspirador
para qualquer começo de semana.

Enquanto ele diz que trabalha mais de mil palavras por imagem,
eu só consigo pensar em uma quando as vejo. C@πœ∫ho˜!

“Se taparem meus olhos pra escolher uma das mil,
provavelmente direi que piloto um estilo eficaz em algum lugar entre a realidade e a ficção.
Com um fraco por cores e texturas, o meio justificando o fim.
Não importa se mentindo ou dizendo a verdade, o importante é transmitir.”


Tokyo Slo-mode

Pra inspirar esse começo de semana.
Não pra seguir no mesmo ritmo que o vídeo, mas pela beleza e pela simbologia das imagens.

O correr caótico de uma cidade, visto num ritmo que faz refletir.
Sobre tudo. As cores, os cheiros…
(quem anda no trânsito de Recife sabe bem o que é isso – e até quem não anda, o meu caso)

Boa semana pra todos.


Fotos do fato

A comemoração pelo aniversário de 3 anos do blog foi assim, um tanto mágica, por conta do cenário; um bocado paulera, por causa do somzão que tava rolando; e super alto astral, pela presença de tanta gente bacana.

Muito obrigado às bandas, à equipe do Aponte, a todos os amigos que puderam comparecer e a Lusenalto, que tirou várias fotos e não se deu ao trabalho de sair em pelo menos uma.

Se não deu pra você ir, pode ficar tranquilo, essa foi só a primeira de muitas. Só tomara que não tenhamos de esperar mais um ano pra reunirmos toda essa turma de novo, afinal, pra fazer festa, qualquer motivo serve.


Pela Rua #5 – Madri por Tarrask

 

Como já dissemos, pra contribuir com o Cultbox é só mandar algo legal que a gente posta.

Tarrask (o mito – @tarrask) mandou essas fotos do que ele viu pelas ruas de Madri. Stickers, grafites…

Entrou no PelaRua daqui do Cultbox.

Valeu, Alexandre. Agora a gente tá esperando o que você já viu por Miami.


Wannabe: Jane Birkin

Jane Birkin é uma atriz e cantora inglesa que, segundo a Wikipédia, nasceu em 1946. Ela começou a carreira bem cedinho, fez pontas em uns filmes, casou com um cara, separou, casou com o Serge Gainsbourg, teve a Charlotte Gainsbourg com ele, separou, casou de novo, etc e tal.

Eu sei que esse é um blog de maioria masculina, mas preciso contar que a famosa bolsa Birkin (dã), da grife francesa Hermès, foi inspirada nela. E que atire o primeiro Snob a mulher que não sabe identificar uma. Diz a história que Jane andava por Londres carregando todos os seus pertences em uma cesta de piquenique de palha. Aí, um dia, enquanto tentava acomodar o trambolho no compartimento superior de uma aeronave, ela foi questionada pelo passageiro ao lado sobre a razão de não usar uma bolsa Kelly (a.k.a bolsa de mocinha, inspirada na princesa Grace Kelly, também da Hermès), como todas as mulheres da época. Jane explicou que a bolsa era muito pequena e não comportava todos os cacarecos que ela gostava de levar pra cima e pra baixo. E que, caso o sr. Hermès criasse uma bolsa maior, que pudesse ficar aberta o tempo todo (Jane Birkin não andava de ônibus, fato), usaria as bolsas da marca numa boa. O senhorzinho não era o Hermès, como vocês pensaram, mas o filho dele. No fim da história, a tal bolsa foi criada e hoje tem muita perua esperando de salto alto em uma fila de quase dois anos só pra desembolsar até 30 mil realezas por uma Birkin.

Mas não é por isso que eu acho essa mulher o máximo. Só pra começar fazendo escândalo, foi ela que protagonizou a primeira cena de nu frontal da história do cinema britânico em Blow-Up ― aquele do cartaz que tem a modelo Veruschka (thanks again, Wikipedia!) esparramada no chão do estúdio com o ator David Hemmings por cima dela. Além de Jane, foi a única coisa que me marcou no filme porque, olha, não vou esconder que cochilei umas 288 vezes.

Em 1976, já casada com o lindo do Serge Gainsbourg, lançou com o maridón uma canção chamada “Je t’aime… moi non plus”. Foi proibida em vários países, inclusive no Brasil da caretice militar por conta de seus versinhos sugestivos do tipo “tu vas e tu viens”. Nem precisa de Google Translate, né?

Aí, você me pergunta: mas só porque a mulher é uma despudorada, tu queria ser feito ela? Claro que não, minha gente. O negócio é que Jane Birkin tirou a roupa, provocou meio mundo de gente e saía por aí carregando uma cesta de palha com uma naturalidade que a testa da Madonna não vê faz tempo. A mulher é linda de morrer e ainda conseguiu ser sex symbol, ícone fashion e cultural por várias décadas sem, depois de tudo, se plastificar inteirinha. Hoje, aos 64 anos e com 17 álbuns, 74 filmes e 3 indicações ao Oscar no currículo, vovó Jane leva a vida ― e a carreira ― numa boa, como sempre foi. Em 2009, ela veio ao Brasil pra participar de um show da Orquestra Imperial em homenagem ao Serge. Disseram que foi lindo.

_______________

Gabriela tem 23 anos e, ela jura, nenhum transtorno de personalidade. Acha que hoje em dia todo mundo wannabe alguma coisa: cult, hipster ou apresentadora de televisão. E é por isso que de vez em quando ela vai postar aqui sobre gente que realmente vale a pena perder tempo invejando.

 

 


High School Musical

#chupahighschoolmusical

Esse clip/curta cantado por Miles Fisher é uma grande tiração de onda com as escolas americanas nos filmes e seriados dos anos 80. O clip tem a atmosfera típica das High School Americanas.

Muito bom!


Nas Chompas

Trabalho do ilustrador americano James Mitchell.


Glup.

Um stop-motion bem legal feito no smartphone Nokia N8.

O making off é muito bom.


Obras primas em massinha

Trabalho da ilustradora Irma Gruenholz para o livro Its Imagical Museum.


Dez anos do disco da década

Ontem, dia 30 de junho, fez exatos 10 anos do lançamento de um dos mais importantes discos da cultura pop dos últimos tempos. O Is this it. Eu lembro o que eu senti, quando ouvi Last Nite pela primeira vez. Era um misto de novidade com “já ouvi isso antes”. É isso que o Strokes mostrava ao mundo. Que era possível fazer música de um jeito simples, clássico e soar moderno, mesmo escancarando muitas referências clássicas. O Is This it lançou o Strokes para o mundo e junto, inspiração para um sem número de bandas que seguiram o exemplo dos nova-iorquinos. Uma verdadeira avalanche que, se a gente fosse citar, provavelmente ocuparia boa parte das linhas desse texto. Os Is This It é cool. É bacana mesmo. Pra mim é, até hoje, o tiro no alvo que o Strokes deu. Não que isso faça dos outros discos decepções, mas acho que o Is This It é a obra prima da banda. E a fórmula é fácil: simplicidade. Eles voltaram ao bom e velho formato que consagrou tanta coisa boa no rock and roll: baixo, bateria e guitarra. Simples assim sem grandes efeitos ou distorções destacadas. Tudo isso em um panorama desfavorável. A música eletrônica crescia cada vez mais e estava, inclusive, sendo incorporada ao trabalho de bandas tradicionalmente rock and roll. O Led Zeppelin, o Kinks, o The Who e tantas outras bandas clássicas pareciam uma lembrança distante. Inovar era misturar cada vez mais estilos e colocar cada vez mais efeitos. Aliado a sonoridade, claro, eles também souberam trabalhar muito bem a imagem. Adotaram um visual moderno, mas com simplicidade. Roupas pretas, All star e cabelos bagunçados. O Is This It mostrou, de cara, a personalidade da banda: um rock descompromissado, bacana e com tudo o que a gente já conhecia, mas andava esquecido. Parabéns para o aniversariante. Pelo aniversário e por ter resgatado o bom e velho rock and roll.


Fup

Díficil falar sobre algo que você mal sabia que existia e quando fica sabendo da existência, encontra uma legião de fãs sobre o assunto.

O assunto é FUP. E não se trata de nenhuma faculdade do interior paulista ou de uma federação de algum esporte esquisito.

Fup é a obra-prima do escritor americano Jim Dodge.

Não. Obra-prima não está acidentalmente na frase anterior. Talvez a primeira impressão que se tenha ao pegar o livro não seja que se trata de algo tão grandioso. Porque não é. O livro é fino, a capa da edição em português é triste de feia e a história é simples. Sim, bem simples. Mas talvez isso que faça o livro ser tão genial.

Fup é uma pata. Gorda. E que não sabe voar. E entra na história, por acaso. Talvez só para pontuar a relação de Vovô e Miúdo. Avô que cria o neto de uma forma não convencional e que, com mais de 90 anos, garante ter atingido a imortalidade através do uísque caseiro produzido seguindo a receita dada para ele por um velho índio.

No início, o ritmo da história, a forma fantástica que os eventos vão acontecendo me lembraram um pouco Peixe Grande. Mas não tem muito mais a ver. Peixe Grande trata-se de uma odisseia fantástica e da conflituosa relação de pai e filho, fantasia e realidade. A relação de avô e neto em Fup talvez se assemelhe um pouco visto que o neto foi criado pelo avô, mas passa longe do conflito que se encontra em Peixe Grande.

É um livro de leitura fácil e que vale o investimento e o tempo (curto) gasto pra lê-lo.

O livro criou uma legião de fãs pelo mundo porque tem um estilo próprio e que foi replicado e tornou-se padrão no jeito de se contar história na literatura atual. Não foi o único livro do autor. Mas foi o único que atingiu esse status. O que me faz lembrar de Pedro Páramo (aí sim o livro único de Juan Rulfo) e de Ana-não (de Agustín Gómez-Arcos) que são livros que tem o que mais se encontra na fantasia de Fup. Humanidade.


The Just City | Trip

As mudanças nas cidades ao longo do tempo, a forma como pensar em seus meios de transporte, nas oportunidades que elas teoricamente oferecem e o futuro. O vídeo abaixo mostra um pouco isso.

The Just City from The Lifelong Friendship Society on Vimeo.

 

E esse vídeo me lembrou uma bela entrevista nas Páginas Negras da TRIP deste mês com o ex-Talking Heads, David Byner que há alguns anos é ativista, digamos, das bicicletas. Ele levantou essa bandeira de duas rodas e está pedalando esta ideia pelo mundo através de palestras em congressos e fóruns sobre urbanização e também com seu livro que foi muito bem indicado pela Trip, o Diários de Bicicleta.

O título do livro é uma sátira ou, como ele mesmo diz na entrevista, uma brincadeira com o livro de CHE, Diários de Motocicleta.  E se a TRIP indica, meu caro, eu indico junto. Sim, sim “maria vai com as outras”.

Se você não comprou a Trip deste mês, COMPRE. Se você ainda não anda de bicicleta, ANDE, e se você ainda não acha que a magrela é importante na revolução urbana que vivemos, MORRA.

A entrevista completa está aqui.