Ah, Michel Teló, se eu te pego…
Ninguém me entende, porque Ivete não deixa.
Hoje é tão difícil convencer alguém a ler mais de 5 linhas que eu desconfio que vou perder mais 15 minutos da minha vida tentando comprovar um ponto de vista que não interessa a quase ninguém. Mas, vamos lá.
Nós já tivemos Caetano, Chico, Jorge, Cartola, Tom, Tim, Vinícius, Gil, Gal, João Gilberto, Elis, Novos Baianos, Os Mutantes, Clube da Esquina, Roberto e Erasmo, isso porque estou escalando um time só com Pelés e esquecendo uma dezena de gênios por culpa da minha ignorância e pouca idade. Hoje nós temos os Pedro Sás, os Kassins, os Wados, os Amarantes, as Céus, os Ottos, os Fernando Catataus e uma mais de centena de grandes artistas na música brasileira; é tanta gente que qualquer nome que eu adicione aqui vai aumentar a injustiça.
Artista, ao contrário do que a grande massa brasileira deve acreditar, não é qualquer um que possa segurar um violão; ter a voz bonita também não faz a Ivete ou a Sandy serem artistas; se você sobe num palco, mesmo que abaixo dele tenham milhares de pessoas, mesmo assim, isso não faz de você um artista. Artista é, acho eu – e uma infinidade de pessoas – um Picasso, um Patativa do Assaré, um Chico Buarque. Ou seja: gente que faz arte. Pessoas que quando rabiscam alguma coisa num papel, quando cantam, quando produzem alguma coisa, estão pondo na frente de tudo a vontade de acabar uma obra, cheia de conteúdo, vazia, errônea, estúpida, não importa, pois a arte não precisa necessariamente ter uma função, mas é comum que tenha a intenção de acrescentar algo ao mundo, ou de não acrescentar nada, simplesmente para questionar a própria arte.
Não é a erudição que transforma qualquer coisa em arte, então, não é isso que faz Michel Teló ou Ivete não serem artistas. É simples mesmo. É só porque eles não fazem arte.
Qualquer pessoa no mundo tem direito de gostar de qualquer coisa. Ponto. Gostar e ser induzido a gostar são coisas diferentes. Ponto. Conhecer duas ou três coisas faz você ter a chance de escolher; logicamente, conhecendo apenas uma, você já sabe no que dá.
Quando um país erguia um ídolo, costumava ser porque ele fazia muito bem uma coisa. Claro, com o passar do tempo, pessoas espertas foram notando que erguer um ídolo também é uma chance de ganhar muito dinheiro. Michel Teló é um ídolo. Ivete também. Mas por favor, não chamem essa gente de artista. Não comparem o Neymar ao Pelé. Não achem natural pôr em pé de igualdde a Ivete e o Caetano, não, por favor. Não caiam nessa. Dancem, achem super divertido, compartilhem nas redes sociais, mostrem para o seu sobrinho – não para o meu filho – a música nova do Michel Teló e colem no sofá no especial de fim de ano com o Roberto Carlos cantando as mesmas músicas que ele canta faz 15 anos. Mas por favor, não achem isso o supra-sumo da cultura brasileira. Não sirvam de força propagadora para os espertos que só valorizam o dinheiro, pois há um monte de artista de verdade que também precisa de dinheiro; o Pedro Sá também paga conta de luz.
Parece que isso tudo é inofensivo, que é só mais um artista que apareceu e vai sumir, que é assim mesmo, o povo brasileiro gosta de coisa ruim, é natural e legítimo. Mas acontece que Chico não toca na rádio há 20 anos. Ivete tocou na rádio nos últimos 20 anos. Esse mesmo povo que foi pego por Michel Teló nunca teve a chance de ouvir Chico. A maioria dos pagodeiros que justificam seu gosto dizendo que aquilo “é música pra dançar”, nunca ouviram “Feijoada Completa” nem “A menina dança”. E já que essa mesma turma parece nunca ter triscado na boa cultura brasileira, é provável que eles também não se sintam encorajados a ler um Machado de Assis, discutir sobre o prefeito que vão eleger, pensar sobre qualquer coisa diferente do último capítulo da novela, estudar assuntos da própria profissão. Está todo mundo ocupado, ouvindo Ivete. Isso é mal para o Brasil, ou não? Um exemplo: alguém já ouviu um carro rebaixado tocando Vinícius para a cidade inteira ouvir?
Será que a falta de educação e a crescente falta de civilidade no brasileiro não têm nenhuma ligação com a maneira como estão sendo apresentados a eles esses novos ídolos, com a falta de cultura para onde o brasileiro está sendo empurrado? Será mesmo que não devemos nos revoltar nem um bocadinho ao ver que a Globo produziu um especial de final de ano que na prática fez todo brasileiro médio acreditar que Ivete pode ter valor cultural semelhante ao Caetano, será que é exagero achar que isso contribuiu mais ainda para o atraso de tudo? Quantos pequenos brasileiros não assistiram aquele especial e nem se tocaram de quem são Caetano e Gil? Em quantos concertos você já assistiu um dueto entre Bob Dylan e Britney Spears?
Eu sei que arte não salva um país e que todos os países têm suas porcarias. Mas os americanos não precisam – tanto quanto nós ainda precisamos – provar seu valor – a maioria do mundo acha que eles são donos do mundo -, os ingleses também não. Eles têm Bob Dylan e Beatles – e tantas outras coisas – e o mundo sabe disso. É triste constatar que alguns estrangeiros vão ouvir falar da música brasileira não por Caetano, mas por Ivete Sangalo, no Brazilian Day – e que por este e outros motivos, a mulher brasileira é lembrada no estrangeiro pelo “bumbum brasileiro”, “depilação brasileira”, “biquini brasileiro”, para não citar coisa pior. Nós temos tantas coisas boas e ruins quanto eles, mas precisamos implorar para ter um visto de trabalho nos Estados Unidos ou Europa. O brasileiro é visto lá fora como mal educado e talvez seja mesmo. Não vai ser propagando “Pererê” que vamos conquistar algum respeito. E eu arrisco, já que a educação é tão precária no Brasil, um Chico Buarque pode não salvar o país, mas ouvir antes do almoço faz pensar muito melhor.
Eu sei que parece difícil entender. Sei que pareço um velho falando dos artistas do passado, negando o sucesso do Michel Teló. Mas eu juro por Ivete mortinha, que mesmo hoje existem grandes artistas fazendo boa música, boa literatura, bom cinema e bom teatro, boa cultura brasileira, erudita ou popular, mas sei que existem. Conheço alguns. O que eles fazem dá pra ler quieto num canto ou dançar num churrasco, posso jurar.
Estou tentando explicar. Mas Ivete não deixa.
O amor é facinho – Por Ivan Martins
o cultbox indica vídeo e indica música e indica bons projetos. hoje eu queria indicar só um texto, sem frescura, sem fricote. até sem foto pro post.
__
O amor bom é facinho, por Ivan Martins
Há conversas que nunca terminam e dúvidas que jamais desaparecem. Sobre a melhor maneira de iniciar uma relação, por exemplo. Muita gente acredita que aquilo que se ganha com facilidade se perde do mesmo jeito. Acham que as relações que exigem esforço têm mais valor. Mulheres difíceis de conquistar, homens difíceis de manter, namoros que dão trabalho – esses tendem a ser mais importantes e duradouros. Mas será verdade?
Eu suspeito que não.
Acho que somos ensinados a subestimar quem gosta de nós. Se a garota na mesa ao lado sorri em nossa direção, começamos a reparar nos seus defeitos. Se a pessoa fosse realmente bacana não me daria bola assim de graça. Se ela não resiste aos meus escassos encantos é uma mulher fácil – e mulheres fáceis não valem nada, certo? O nome disso, damas e cavalheiros, é baixa auto-estima: não entro em clube que me queira como sócio. É engraçado, mas dói.
Também somos educados para o sacrifício. Aquilo que ganhamos sem suor não tem valor. Somos uma sociedade de lutadores, não somos? Temos de nos esforçar para obter recompensas. As coisas que realmente valem a pena são obtidas à duras penas. E por aí vai. De tanto ouvir essa conversa – na escola, no esporte, no escritório – levamos seus pressupostos para a vida afetiva. Acabamos acreditando que também no terreno do afeto deveríamos ser capazes de lutar, sofrer e triunfar. Precisamos de conquistas épicas para contar no jantar de domingo. Se for fácil demais, não vale. Amor assim não tem graça, diz um amigo meu. Será mesmo?
Minha experiência sugere o contrário.
Desde a adolescência, e no transcorrer da vida adulta, todas as mulheres importantes me caíram do céu. A moça que vomitou no meu pé na festa do centro acadêmico e me levou para dormir na sala da casa dela. Casamos. A garota de olhos tristes que eu conheci na porta do cinema e meia hora depois tomava o meu sorvete. Quase casamos? A mulher cujo nome eu perguntei na lanchonete do trabalho e 24 horas depois me chamou para uma festa. A menina do interior que resolveu dançar comigo num impulso. Nenhuma delas foi seduzida, conquistada ou convencida a gostar de mim. Elas tomaram a iniciativa – ou retribuíram sem hesitar a atenção que eu dei a elas.
Toda vez que eu insisti com quem não estava interessada deu errado. Toda vez que tentei escalar o muro da indiferença foi inútil. Ou descobri que do outro lado não havia nada. Na minha experiência, amor é um território em que coragem e a iniciativa são premiadas, mas empenho, persistência e determinação nunca trouxeram resultado.
Relato essa experiência para discutir uma questão que me parece da maior gravidade: o quanto deveríamos insistir em obter a atenção de uma pessoa que não parece retribuir os nossos sentimos?
Quem está emocionalmente disponível lida com esse tipo de dilema o tempo todo. Você conhece a figura, acha bacana, liga uns dias depois e ela não atende e nem liga de volta. O que fazer? Você sai com a pessoa, acha ela o máximo, tenta um segundo encontro e ela reluta em marcar a data. Como proceder a partir daí? Você começou uma relação, está se apaixonando, mas a outra parte, um belo dia, deixa de retornar seus telefonemas. O que se faz? Você está apaixonado ou apaixonada, levou um pé na bunda e mal consegue respirar. É o caso de tentar reconquistar ou seria melhor proteger-se e ajudar o sentimento a morrer?
Todas essas situações conduzem à mesma escolha: insistir ou desistir?
Quem acha que o amor é um campo de batalha geralmente opta pela insistência. Quem acha que ele é uma ocorrência espontânea tende a escolher a desistência (embora isso pareça feio). Na prática, como não temos 100% de certeza sobre as coisas, e como não nos controlamos 100%, oscilamos entre uma e outra posição, ao sabor das circunstâncias e do tamanho do envolvimento. Mas a maioria de nós, mesmo de forma inconsciente, traça um limite para o quanto se empenhar (ou rastejar) num caso desses. Quem não tem limites sofre além da conta – e frequentemente faz papel de bobo, com resultados pífios.
Uma das minhas teorias favoritas é que mesmo que a pessoa ceda a um assédio longo e custoso a relação estará envenenada. Pela simples razão de que ninguém é esnobado por muito tempo ou de forma muito ostensiva sem desenvolver ressentimentos. E ressentimentos não se dissipam. Eles ficam e cobram um preço. Cedo ou tarde a conta chega. E o tipo de personalidade que insiste demais numa conquista pode estar movida por motivos errados: o interesse é pela pessoa ou pela dificuldade? É um caso de amor ou de amor próprio?
Ser amado de graça, por outro lado, não tem preço. É a homenagem mais bacana que uma pessoa pode nos fazer. Você está ali, na vida (no trabalho, na balada, nas férias, no churrasco, na casa do amigo) e a pessoa simplesmente gosta de você. Ou você se aproxima com uma conversa fiada e ela recebe esse gesto de braços abertos. O que pode ser melhor do que isso? O que pode ser melhor do que ser gostado por aquilo que se é – sem truques, sem jogos de sedução, sem premeditações? Neste momento eu não consigo me lembrar de nada.
Playing for Change
Com o seu jeito simpático e uma barba grande e branca, Grandpa Elliot faz shows diários em New Orleans, uma cidade americana que respira música. O seu palco é humilde: apenas um banquinho de plástico, mas que já é o suficiente para mostrar todo o seu talento.
Grandpa é um músico de rua, que já virou amuleto artístico do estado de Louisiana, conhecido pelos seus excelentes e inspiradores festivais de Jazz. Há mais de 60 anos impressionando moradores e turistas com as suas canções, o músico se tornou uma das maiores atrações do projeto Playing for Change – Connecting the world through music.
O Playing for Change funciona assim: um estúdio de gravação móvel sai ao redor do mundo em busca de músicos com estilos diferentes. Um na Espanha, outro na África do Sul, mais um na República do Gana e um último em Nepal. A ideia é unir os mais distintos ritmos, culturas e etnias numa música só. O sucesso foi imediato: o primeiro vídeo do projeto lançado na internet teve mais de 30 milhões de visualizações.
Além de fazer um grande favor para quem gosta de ouvir boa música, o Playing for Change ajuda crianças carentes nos lugares mais pobres do mundo. Em Johannesburgo, na África, por exemplo, foi construído um centro de artes para jovens.
Se você não conhece o Playing for Change, vale a pena dar uma conferida.
Playing For Change: Song Around the World “Stand By Me” from Playing For Change on Vimeo.
BattleField 3
Se você é fã FPS (First-Person Shooter) já deve ter jogado Battlefield. Se não jogou, deve ter ouvido falar. Se não ouviu, você não é um fã de games FPS, mas esse post ainda pode lhe interessar.
Battlefield, da DICE/EA, surgiu quando CS ainda rolava nas lanhouses da cidade, mas ganhou espaço apenas quando a internet banda-larga se popularizou. Diferente de Counter-Strike, a série foca em ambientes gigantescos, onde verdadeiras guerras acontecem. E para haver guerra é preciso gente, muita gente.
A franquia se consagrou pelo seu massivo modo multiplayer (32 vs. 32) onde os jogadores tinham à sua disposição um imenso arsenal e diversos veículos de combate. O game ainda contava com um sistema avançado de evolução de personagem, hoje copiado por seus principais concorrentes. Não é a toa que Battlefield 2, lançado em 2005, ainda possui seus servidores lotados 6 anos após seu lançamento. Sim, no mundo dos games isso é um feito.
O jogo se baseia no modo Conquest, onde ganha o time que conquistar o maior número de territórios. Cada time é dividido em até 6 esquadrões comandados por um Líder. Comunicação e estratégia são pontos chaves para assegurar a vitória.
BattleField 3 será lançado no dia 25.10.11 e promete ser um páreo duro para o modesto Call of Duty: Modern Warfare 3. Movido pelo novíssimo Engine FROST BITE 2 (vídeo logo abaixo no post), o game apresenta um realismo nunca visto antes. A Evolução gráfica vai dos movimentos realistas dos personagens à destruição completa dos cenários. O modo Multiplayer comportará até 64 players na versão PC e 32 player nas versões para consoles. Para aqueles que possuem conta no Steam, o jogo deverá estar disponível para pré-download uma semana antes do lançamento.
Deixo o trailer do gameplay e do novíssimo engine FROST BITE 2 abaixo.
ASSISTAM EM HD!
Gameplay
Frost Bite 2
Fight Club #2
[post de Henrique Lamenha]
Vamos falar de uma coisa polêmica (sem ser mamilos).
Vou dar a dica: é uma banda ruim.
Tcharam!
Radiohead.
Gostaria de começar pedindo desculpas. Andei escutando essa bandinha ultimamente pra ficar mais inspirado pra falar dela e acabei entrando em depressão. Portanto esse texto não vai ser nada feliz.
Não vou mentir. Tinha Radiohead no meu iPod até um tempo atrás. Mas resolvi me livrar desse mal. Depois disso, minha vida mudou completamente. (Sério). Quando eu estava na academia, com o iPod no shuffle, e começava a tocar Creep, eu parava qualquer coisa que estivesse fazendo e ia pra casa pensando em como eu era um fracassado e não conseguia fazer rosca concentrada com mais de 12kg. Quando tocava Fake Plastic Trees no meu carro, tinha vontade de acelerar na ponte do Pina e afogar lentamente, sem tirar o cinto de segurança, enquanto o refrão começava a tocar e o carro encher d’água.
Radiohead faz uma pessoa chorar mais do que cortar cebola. Todos os suicidas, nas duas últimas horas antes de morrer, ouviram Radiohead. Não importa se você foi promovido, se acabou de ter um filho, ou teve a notícia mais feliz da sua vida. Se tocar Radiohead, você vai ter uma vontade inconsciente de cortar os pulsos. Acho, inclusive, que se tivesse sido trilha sonora de filme Super Xuxa Contra o Baixo Astral, a rainha dos baixinhos teria perdido a batalha.
Mas nunca é tarde pra se livrar desse mal. Apague tudo que você tem dessa porcaria e seja feliz. O sol vai brilhar mais, o jardim vai florescer e essas coisas alegrinhas que tocam em Here Comes The Sun. Eu até tinha mais pra falar desse bonde da depressão, mas vou estragar seu dia mais ainda.
Ah, você já viu o clipe de Lotus Flower? Deu muito o que falar há pouco tempo atrás. É outro que eu chorei quando vi. Mas dessa vez foi de rir.
LOTUS FLOWER from Lotus Flower on Vimeo.
Good Good Good – Good Old War
Eu não sei fazer crítica de banda. Não acho que tenho conhecimento suficiente pra isso. Nesse assunto, sou uma espécie de publicitária ( e que redundância), escuto de tudo um pouco, mas me divirto. De forma que não me aprofundo em quase nada. Salvo Pixies, Wilco, e agora, Good Old War. O assunto do post.
Conheci, Good Old War por acaso, via ichat – um álbum da banda enviado sem palavras, pelo amigo de trabalho Daniell.
Deixei ali, criando mosca no meu itunes. O nome não me surpreendeu. Nunca tinha ouvido falar. Pudera. Como uma banda que leva a combinacão dos três sobrenomes dos integrantes da mesma podia ser tão interessante?
Aí tá o segredo. A despretensão.
Comecei a escutar em tardes mornas. Não de trabalho. Mas de vida.
E sabe aquela alegria pós- melancolia que te faz ver um sentido em tudo?
Que por um instante te faz lembrar de saudade, leveza e um monte de sentimento terno?
É isso que a banda me trouxe.
Ela é quase Primavera em dia frio.
Falando em frio, no último fim de semana, o shuffle me trouxe uma música especial.
“ I should Go”.
Pense numa musiquinha que deveria se chamar “lembrança”.
Ela fala de momento.
Não deixe o momento passar. Justo a sensação que a banda traz.
Mas Marcela, deixa de ser besta, música é isso. É isso que mexe com nossa vida. Como um marcador de livro que abre num trecho especial. É mesmo.
Se a banda é tudo que há de melhor que existe no mundo?
Não sei.
Mas sentimento não se explica muito.
Ps: quem quiser conhecer um pouco mais, vai lá no wikipedia:
http://en.wikipedia.org/wiki/Good_Old_War
É tudo o que sei.
Primeira música que conheci:
.
A nota mais triste de um blues
Por Izabela Hinrichsen
Blue Valentine ainda não tem estreia prevista no Brasil. No dia que tiver e chegar, o título em português de péssimo gosto – Namorados para sempre – vai levar uma multidão de casais apaixonados ao cinema. Hollywood sempre investe absurdos dólares em filmes de enredo romântico, e quando o filme não tem açúcar suficiente no título (nem no roteiro), descolam um por aqui. E o porquê disso além de outras coisas, está no fato evidente de que as salas de cinema são verdadeiros viveiros de namorados. Elas constroem casais. Aqueles que vão timidamente pela primeira vez juntos, mãos nervosas, suadas, o risco da aproximação, o momento certo, o beijo com trilha sonora, a saída de mãos dadas. E assim, a partir deste momento, ir ao cinema passa a ser ato ritualístico de qualquer relacionamento: pelo menos uma noite de cada fim de semana está reservada para ele. O cinema é certeiro: barato, prático e oferece entretenimento para os dois. Hollywood sabe que comédia romântica é batata. Sabe que se tem “amor” no título, o filme atrai a namorada, que solta um suspiro pelo ator estampado no cartaz e logo chama o namorado para assistir. Mas o filme também é comédia, lembra? Então os homens não torcem tanto o nariz, engolem as frases melosas e os beijos apaixonados em troca de algumas piadas bem encaixadas.
No entanto, pobres os desavisados que irão ao cinema assistir Namorados para…digo, Blue Valentine. O título mela-cueca é bem traiçoeiro, na verdade. Recomendo uma rápida lida na sinopse do filme para eliminar qualquer dúvida de que não estamos falando de um filme de final feliz. Pelo menos não daquele final feliz que estamos acostumados a assistir na sessão da tarde. Alias, o ponto é justamente esse. É que foi através delas que a nossa geração cresceu. Assistindo a filmes de comédia romântica. E eles bombardearam de finais felizes nossa imaginação. Nós, mulheres, aguardamos tanto uma declaração de amor ao som de “I love you baby” cantada da arquibancada do ginásio do colégio, como em 10 coisas que eu odeio em você. Acreditamos que o nosso pezinho levantaria e que sinos tocariam no primeiro beijo. E que o amor, na verdade, são borboletas saltitantes que habitam nosso estômago. E que cartas de amor anônimas viriam. E que velhos amores se reencontram. E o pior de tudo: que para sermos felizes nessa vida, precisamos encontrar nosso par. Ainda fazem o favor de singularizar. Chamam de “a” alma gêmea, “a” tampa da panela. Esquecem que o tempo afeta a tampa e afeta a panela, altera sua composição química de tal forma que faz dela uma nova panela e dele uma nova tampa que já não são mais feitos um pro outro. É assim com as pessoas, obviamente. Se os anos passam e nós mudamos, é perfeitamente normal que aconteça de algumas pessoas, pouco a pouco, não se encontrarem mais naquele que pensaram ser o homem ou mulher ideal. Mas a pressão de dar o tiro certeiro é muito grande. Filmes românticos sempre constroem encontros fantásticos entre os seus personagens: das trocas de olhares discretos na biblioteca até um acidente envolvendo o piano do vizinho que vai parar coincidentemente no hospital em que você dá plantão. Nos filmes, mesmo que o primeiro tiro saia pela culatra e o relacionamento se mostre desastroso, até os seus minutos finais alguém vai aparecer e deixar aquele gostinho de novo amor no ar para fazer todos saírem do cinema suspirando de esperança.
É por isso que tão importante quanto acreditar no amor é aceitar a possível existência da sua efemeridade. Assistir a filmes de amor pessimista, de desencontros e rupturas. Filmes em que os personagens precisam construir outros pilares na vida e recomeçar sem necessariamente partir da estaca zero de um novo amor. Filmes como Blue Valentine parece ser. “Parece” apenas, porque não vi ainda. Mas li sua sinopse e vou ao cinema assistir não pela apelação romântica do título em português, mas pelo “blue” do original. O blue que não é azul. O blue que é triste. Que deve ser derivado do blues, da nota mais triste de um blues.
Hobo with a shotgun
Há atores que deviam se dedicar ao exploitation – ou seja, a produções de baixo orçamento que não se levam a sério. Porque, à medida que envelhecem, suas poses e falas vão perdendo o efeito de canastrice que outrora produziam nas massas. Os exemplos estão aí.
Nicolas Cage retomou sua carreira com dignidade depois de ser dirigido por Herzog no remake de Bad Lieutenant. Coroou com espinhos cristãos sua ressurreição cinematográfica em Fúria Sobre Rodas, um filme B com requintes de cafajestagem. Agora, mais um tio iconoclástico resolveu que era hora de encarar os exploitations de frente, em grande estilo: ninguém menos que o replicante caroneiro dos infernos, Rutger Hauer. É ele quem promove uma carnificina catártica em Hobo With a Shotgun.
Visualizem, por um minuto, o título do filme transposto para a tela grande: o bom, velho e já rechonchudo Hauer é um “vagabundo” de “rifle” em punho. Ele caça com afinco um inescrupuloso mafioso que mantém a população sob controle utilizando ameaças e violência extrema.
São litros e mais litros de sangue na tela. Tripas e mais tripas dependuradas de corpos mutilados. E uma gritaria interminável! Tudo isso com efeitos toscos, diálogos sem pé nem cabeça, inserções cômicas gratuitas e atuações bastante duvidosas. Há, inclusive, um discurso do personagem de Hauer que lembra a célebre lição de moral que seu replicante dá no caçador de andróides. Ou seja, é diversão garantida!
Curioso mesmo é saber que o sujeito responsável pela filmagem é Karin Hussaim, a mente pérfida e doentia que assina um dos filmes mais chocantes de todos os tempos, Subconscious Cruelty.
Infelizmente, sabe-se lá quando Hobo With a Shotgun vai ganhar algum pedaço do circuito. Graças aos deuses do bom cinema, existem torrents disponíveis, com legendas em português já disponibilizadas.
Fico só imaginando o Antônio Fagundes ou o Tarcísio Meira num exploitation… Seria muito mais digno.
Games que não foram feitos para gamers
Lembro da primeira vez que joguei Atari na casa de meus primos. Aquele controle primitivo e gráficos pixelados não interfiriram nem um pouco na experiência de jogar Enduro, River Raid, Pitfall, entre tantos outros. Lembro de como era dificil controlar aquele carro e pular na cabeça de jacarés. Aquele desafio me manteve durante várias tardes em frente à TV.
Essa semana, estive na casa de meus primos para jogar um pouco de Kinect, o novo acessório do Xbox360. Sou viciado em novidades tecnológicas então devo dizer que me diverti só de ver o funcionamento do kinect. A novidade é bem interessante. Meu facínio pela novidade se assemelhou bastante com a primeira vez q joguei Nintendo Wii. Talvez esse seja o problema do Kinect.
Assim como o Nintendo Wii, o Kinect expandiu horizontes se tratando de interação com o universo dos games, mas temo que a Microsoft esteja seguindo os mesmos passos de sua concorrente japonesa. Apesar da brilhante tecnologia, os games parecem ser destinados a um público diferente daqueles que jogavam Atari, Super Nintento ou até mesmo PS2.
Falta o desafio! Todos os jogos são simples e fáceis demais, tornando a experiência de jogá-los one time thing. É extremamente decepcionante ver uma tecnologia tão revolucionária destinada a entreter apenas gente obesa ou bêbada. Não quero ser maldoso, mas na ocasião, estes dois grupos foram os únicos a enfrentar algum desafio jogando Kinect.
Espero que a Microsoft aprenda com o erro da Nintendo e comece a criar jogos para quem realmente gosta de videogames. Espero que percebam que estourar bolinhas não é tão divertido assim e que ninguém fica sozinho em casa “fingindo” correr e pular obstáculos. Get real!
Brasil já faturou a primeira medalha nas Olimpíadas
O propósito desse post é uma questão de justiça. Da última vez que escrevi pro Cultbox, comentei sobre a marca da Copa de 2014 no Brasil, vaiada e odiada pela maioria dos designers e não-designers mundo afora. Como minha opinião era diferente, achei que seria interessante externá-la. Com a apresentação da marca oficial das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, e a reação bem mais amena do público geral, percebi que dessa vez minha impressão tinha se alinhado com a maioria. Mesmo assim, houveram críticas (que bom que existem) e essas me motivaram a comentar esta última também.
Pra começo de conversa, gostei muito da marca desenvolvida pela Tátil Design. Quem se interessa pelo assunto, já deve ter lido sobre o processo criativo, a adequação ao briefing, a defesa da solução apresentada. Tudo redondamente esclarecido e explicado. Pelo menos, me convenceu. Convenceu que o abraço representa bem sim o povo carioca (e brasileiro também, porque não?). Que as pessoas de mãos dadas, unidas, formando algo em comum, representam acertivamente o espírito olímpico. Que a sinuosidade do traço é adequada para simbolizar a cidade. Que o contraste entre os espaços vazios e preenchidos equilibram bem a forma como um todo. Que as aplicações apresentadas se comportam sem dificuldades. Que o lettering, continuado, curvo e leve, se adequa bem ao signo.
Entre as críticas, mais uma vez, não consegui identificar grandes argumentos. A maioria se resume a palavrões ou ‘não gostei’. Mas, entre elas, tenho que concordar que do ponto de vista criativo, retratar o Pão de Açucar e usar as cores de nossa bandeira não são a maneira mais inovadora de representação. Mesmo assim, não tive acesso à outras propostas e não acho que isso desqualifique a marca escolhida. Tem também o caso de plágio mencionando a Telluride Foundation e o quadro ‘A dança’, de Matisse. Isso é recorrente quando se opta pelo caminho figurativo de representação. É natural que se identifiquem formas semelhantes, uma vez que a estilização parte do mesmo ponto comum – o homem. Se continuarmos procurando, vamos achar muitas outras formas semelhantes, e isso não quer dizer que ouve plágio, cópia. Portanto, particularmente, descarto essa hipótese.
Entre tudo o que gostei na marca, deixo pro final o que mais me impressionou: o processo de seleção e decisão. Transparente, respeitoso, ético, profissional. Diferentemente do que aconteceu na obscura e silenciosa escolha da marca da Copa de 2014, a apresentação da marca das Olimpíadas de 2016 coroou um escritório de design que passou por todas as etapas pré-estabelecidas, com um trabalho bem executado e adequado aos critérios. Independente de ter gostado da solução, o que mais me deixou satisfeito foi a forma com que se chegou nela.
Making of Rio 2016 from Tátil Design de Ideias on Vimeo.
Texto de Daniel Pinheiro
Designer e sócio no Estúdio Mola, de Recife.
Pela Rua #3 – Amsterdam
Bacharel em Oceanografia
Não interprete esse texto como um discurso intelectualóide, até porque meu histórico acadêmico coloca qualquer turma do fundão no chinelo, mas é que acho um absurdo concluir o curso sem nunca ter precisado de fato ler um livro. Eu disse pre-ci-sa-do porque é lógico que eu fiz a minha parte. Luna Clara & Apolo Onze, por exemplo, eu terminei durante uma aula de psicologia em que a professora analisava anúncios de acordo com uma teoria que segundo minha mãe, psicóloga, ninguém aplica nem em pesquisa, nem em consultório. Já Lavoura Arcaica eu fui obrigada a largar no meio de um seminário de marketing pra alguma coisa porque aquela escrita difícil não descia em meio aos berros de um professor que pregava o fim da Rede Globo.
Os mais chatos que eu (sim, eles existem) vão argumentar que universidade pública é assim mesmo: o aluno que faz o curso, tem que se virar e correr atrás. Discurso bonito. O problema, amigão, é que o Brasil (a.k.a eu e você) gasta em média R$15 mil ao ano com cada aluno do ensino superior. Significa que uma graduação custa aos cofres públicos cerca de R$75 mil. Agora imagine você o estrago que dá pra fazer com esse dinheiro na livraria mais próxima? É, eu também sinto um aperto no coração.
Torço sinceramente pela galera nova que está tentando dar uma cara bacana ao departamento, mas como membro da minha geração de concluíntes, não posso recomendar o curso a ninguém. Aos aspirantes a atendimentos, planejadores, criativos e mídias, sugiro uma alternativa um pouquinho radical: prestem vestibular pra filosofia, história da arte, ciências políticas, sociologia, economia, letras, administração ou museologia. Tenho a impressão de que vai agregar muito mais do que quatro cadeiras de redação publicitária que nunca vão mencionar esse tal de Eugenio Mohallem.
Colorindo
Deixo hoje como indicação de livros mais um da série Design Básico, o número 4: Cor que fala sobre cor de uma forma bem legal.
O post completo com todas as imagens vocês podem ver amanhã no OhPERA Blog.
A primeira impressão é a que fica
Os designers gráficos têm hoje à sua disposição uma enorme variedade de processos de impressão e técnicas de acabamento para produzir publicações atraentes e funcionais. Falando mais especificamente de cartões de visitas, vejo grande necessidade de fazer uso desses processos para fazer bonito naquela velha e boa “primeira impressão” com o cliente. Afinal, o cartão de visitas é a porta de entrada, muitas vezes, para qualquer profissional.
Falando um pouco mais sobre alguns acabamentos que encontramos por aqui:
Indico hoje pra vocês o livro muito genial sobre impressão e acabamento do Gavin Ambrose que sempre mostro lá no blog: Design Básico 3 – Impressão e Acabamento.
"A taça do mundo é nossa". Goste você, ou não.

Como representar o Brasil? Coqueiro? Carmem Miranda? Sol? E junto com Copa do Mundo? Que tal uma arara mordendo uma bola? Ou um capoeirista dando um voleio? – eita, assim parece a marca da Copa da África, deixa pra lá. Me parece um tanto complicado. Tanto que um bando de designers tampa de crush já tentaram a empreitada sem sucesso. Aí vêm um cidadão, desenha três mãos formando uma taça, assim, bem rapidinho, como se fosse um traço de criança e pronto. A Fifa aprovou. Até Paulo Coelho aprovou, olha lá. Então é porque tá bom.
Pois é. Eu também acho que não é assim que se resolve. Acho que nosso país tem gente talentosa demais pra projetar e julgar uma marca tão importante e tão representativa pra nós. Existem órgãos seríssimos que podem mediar o processo. E acho que passar por cima de tudo isso, de todo mundo, é bem desrespeitoso – pra não falar escroto, que é uma palavra feia. Não parece que as entidades e nossos profissionais não foram respeitados durante o processo de criação, desenvolvimento e escolha dessa marca (desculpas Hans Donner, não te incluo como designer). Não sei até onde é verdade, mas é o que tenho lido. E se foi o que aconteceu, precisaríamos de uma classe muito mais forte, para sermos devidamente ouvidos. Falha nossa.
Voltando. Apresentaram a tal marca. O próprio Joseph Blatter tava lá, falou e tudo. Até em portuñol, um esforço danado. E eu gostei de resultado. Depois explico porquê. Gostei. A maioria dos meus colegas e amigos variou entre o repúdio e o ódio. Textos, e-mails, tweets, manifestações de todos os lados. Calma lá pessoal: é tão ruim assim? Daqui pra amanhã, podem até me convencer que sim. Até agora, continuo gostando da danada.
Entendo que quando procuramos representar algo de forma figurativa, é natural uma infinidade de interpretações. Muito se comentou sobre a marca parecer Chico Xavier escrevendo, com a mão na cabeça, ou sobre o roubo da Jules Rimet. O fato é que, ao meu ver, o símbolo representa muito bem uma Copa do Mundo no Brasil: a união de povos em torno de um objetivo comum. Com as cores óbvias que representam nosso país (com exceção do vermelho, que provavelmente funciona como um contra-ponto não ficar a marca de um país só – afinal, é um torneio internacional). Há de se encontrar uma infinidade de formas ‘escondidas’ sob essa, e isso só vai passar quando a mesma for apresentada dentro de seu sistema de identidade visual completo, e ‘apurarmos’ um pouco nosso olhar. Pela análise inicial, me parece que resiste muito bem a testes de redução, positivo/negativo, tem cores de fácil reprodução, evita os abusos de efeitos, é equilibrada nas proporções de seus elementos, entre outros detalhes mais técnicos graficamente. Contudo, isso não é o suficiente pra tornar uma marca ‘boa’ ou ‘ruim’. Existem peculiaridades como se ela responde ao briefing ou se atende aos seus representados. Existem detalhes que nós, que não nos envolvemos diretamente no projeto, não podemos avaliar ou comentar. No geral, no entanto, acho um símbolo bem simpático, irreverente e pra lá de ousado (não é toda a manifestação). Além de ter uma tipografia totalmente desenhada, única e de boa leitura (ou você está tendo alguma dificuldade de ler 2014 ou Brasil?).
O pior de tudo é constatar nossa capacidade de reclamar sem organizar. Meu medo fica pra a Copa do Mundo de verdade, no Brasil, dos desvios, dos desmandos, da desorganização, da violência.
Quanto à marca, é linda.
Texto de Daniel Pinheiro
Designer e sócio no Estúdio Mola, de Recife.
Eu Quero Meu Sertão de Volta!
“Da dança da garrafa de Carla Perez até os dias de hoje formou-se uma geração que se acostumou com o lixo musical.”
Nos últimos dez anos tenho viajado freqüentemente pelo sertão de Pernambuco, e assistido, não sem revolta, a um processo cruel de desconstrução da cultura sertaneja com a conivência da maioria das prefeituras e rádios do interior. Em todos os espaços de convivência, praças, bares, e na quase maioria dos shows, o que se escuta é música de péssima qualidade que, não raro, desqualifica e coisifica a mulher e embrutece o homem.
O que adianta as campanhas bem intencionadas do governo federal contra o alcoolismo e a prostituição infantil, quando a população canta “beber, cair e levantar”, ou “dinheiro na mão e calcinha no chão”? O que adianta o governo estadual criar novas delegacias da mulher se elas próprias também cantam e rebolam ao som de letras que incitam à violência sexual? O que dizer de homens que se divertem cantando “vou soltar uma bomba no cabaré e vai ser pedaço de puta pra todo lado” ? Será que são esses trogloditas que chegam em casa, depois de beber, cair e levantar, e surram suas mulheres e abusam de suas filhas e enteadas? Por onde andam as mulheres que fizeram o movimento feminista, tão atuante nos anos 70 e 80, que não reagem contra essa onda musical grosseira e violenta? Se fazem alguma coisa, tem sido de forma muito discreta, pois leio os três jornais de maior circulação no estado todos os dias, e nada encontro que questione tamanha barbárie. E boa parte dos meios de comunicação são coniventes, pois existe muito dinheiro e interesses envolvidos na disseminação dessas músicas de baixa qualidade.
E não pensem que essa avalanche de mediocridade atinge apenas os menos favorecidos da base de nossa pirâmide social, e com menor grau de instrução escolar. Cansei de ver (e ouvir) jovens que estacionam onde bem entendem, escancaram a mala de seus carros exibindo, como pavões emplumados, seus moderníssimos equipamentos de som e vídeo na execução exageradamente alta dos cds e dvds dessas bandas que se dizem de forró eletrônico. O que fazem os promotores de justiça, juízes, delegados que não coíbem, dentro de suas áreas de atuação, esses abusos?
Quando Luiz Gonzaga e seus grandes parceiros, Humberto Teixeira e Zé Dantas criaram o forró, não imaginavam que depois de suas mortes essas bandas que hoje se multiplicam pelo Brasil praticassem um estelionato poético ao usarem o nome forró para a música que fazem. O que esses conjuntos musicais praticam não é forro. O forró é inspirado na matriz poética do sertanejo; eles se inspiram numa matriz sexual chula. O forró é uma dança alegre e sensual; eles exibem uma coreografia explicitamente sexual. O forró é um gênero musical que agrega vários ritmos como o xote, o baião, o xaxado; eles criaram uma única pancada musical que, em absoluto, não corresponde aos ritmos do forró. E se apresentam como bandas de “forró eletrônico”. Na verdade, Elba Ramalho e o próprio Gonzaga já faziam o verdadeiro forró eletrônico, de qualidade, nos anos 80.
Em contrapartida, o movimento do forró pé-de-serra deixa a desejar na produção de um forró de qualidade. Na maioria das vezes as letras são pouco criativas; tornaram-se reféns de uma mesma temática. Os arranjos executados são parecidos. Pouco se pesquisa no valioso e grande arquivo gonzaguiano. A qualidade técnica e visual da maioria dos cds e dvds também deixa a desejar, e falta uma produção mais cuidadosa para as apresentações em geral.
Da dança da garrafa de Carla Perez até os dias de hoje formou-se uma geração que se acostumou com o lixo musical. Não, meus amigos: não é conservadorismo, nem saudosismo. Mas não é possível o novo sem os alicerces do velho. Que o digam Chico Science e o Cordel do Fogo Encantado que, inspirados nas nossas matrizes musicais, criaram um novo som para o mundo. Não é possível qualidade de vida plena com mediocridade cultural, intolerância, incitamento à violência sexual e ao alcoolismo.
Playlist #6 – Nika
AC/DC – Let me put my love into you
Uma das maiores bandas de Hard Rock que o mundo já teve o prazer de escutar. Apesar das confusas saídas e entradas de seus membros na banda, considero essa música uma das melhores do clássico disco dos caras “Back in Black”.
The Jimi Hendrix Experience – Love or Confusion
Não tem como fazer uma playlist e não botar Jimi Hendrix. A The Jimi Hendrix Experience gravou a maioria das músicas mais famosas de Hendrix. Pra mim, “Love or Confusion” é uma das melhores faixas do disco “Are you experienced” da banda.
Iron Maiden – The Trooper
O Iron Maiden influenciou muitos músicos bons por aí. Gosto tanto desse clássico dos caras, que botei como ringtone do meu celular.
Them Crooked Vultures – No one loves me neither do I
Uma das maiores surpresas do rock mundial de 2009. A banda é formada por Dave Grohl (Foo Fighters e Nirvana), Josh Homme (Queens Of The Stone Age e Kyuss) e John Paul Jones (Led Zeppelin). O disco de estréia dos caras é tão bom quanto a minha faixa favorita.
Silverchair – The Closing
Sou suspeita pra falar do Silverchair, pois é uma das minhas bandas favoritas. Escolhi esta faixa do meu disco favorito dos meninos, o Freak Show porque eles ainda estavam na fase grunge (a melhor fase da banda).
Sublime – What I got
Sublime é uma das melhores bandas de ska que já existiu e tenho dito!
Chico Buarque – Jorge Maravilha
Chico é um gênio. Escreve e compõe como ninguém. Pra mim, ele é o melhor compositor do Brasil. Não tem como não gostar do cara.
Norah Jones – Lonestar
Uma das melhores descobertas musicais que fiz nos últimos tempos. Norah sabe misturar como ninguém um piano, soul, folk e jazz. Acalma e o seu The Greatest Hits de 2008 não sai da minha playlist por nada.
Led Zeppelin – Black Dog
Clássicão dos Zeppelin, mas sempre ouço como se fosse a primeira vez.
Interpol – Roland
A Interpol é uma das poucas bandas atuais que fazem um post-punk competente. Chegaram a ser comparados com Joy Division, Echo & The Bunnymen e The Chameleons pela sonoridade da banda e suas letras dúbias.
Clique aqui para baixar o Playlist#6 (48 MB)
E aqui para a capinha.
Onde os feios não tem vez
O problema é que para a maioria das pessoas, atingir o padrão perfeito de beleza é ilusório e isso é tão verdade, que a própria televisão e as revistas (masculinas e de moda), disfarçam o lado humano das musas. Haja photoshop e haja maquiagem. Nenhum ensaio em revista masculina é publicado sem antes passar por um cuidadoso tratamento de imagem. Aliás, o nome até sugere o real objetivo da etapa: tratar das imperfeições. Haja celulite e gordurinha pra esconder.
Esse estereótipo gera uma corrida em busca da forma perfeita. Dieta do suco, dieta das frutas, dieta de fibras, dieta disso, daquilo. Seja em revista de fofoca, seja na internet ou seja por indicação da manicura. Para desespero dos nutricionistas, toda e qualquer fonte que indique uma dieta é válida. O importante é vestir números cada vez menores e fazer menos peso nas balanças, não importa como. A partir daí, clínicas de psicologia e academias se enchem de frustrados. O pior é que todo mundo acredita que pode ficar com o corpo da mocinha da novela. O que, talvez, a maioria não saiba, é que nem ela tem aquele corpo.
Nessa indústria muita gente lucra. Cirurgiões plásticos, empresários, comunicadores, consultores de moda e tantos outros. Uns poucos vencedores e milhares de derrotados. Numa guerra em que o padrão de beleza é uma arma destrutiva, pelo menos para uns dois terços da população. A exemplo da beautifulpeople.com, que só aprova 20% dos cadastrados e se vangloria por contribuir para o embelezamento da humanidade. É esse o saldo de uma luta por algo que nem existe: a perfeição. O pior é que ela vai continuar por muito tempo. Aos feios cabe, somente, aceitar a condição de “excluído” ou se esforçar para se enquadrar nos padrões. Difícil é saber o que, no fundo, a gente realmente quer.
PLAYLIST #1 – Igor Gazatti
10 músicas que não saem da sua playlist. Essa é a premissa da nova seção do Cultbox, que a cada semana trará um convidado ilustre para compartilhar conosco sua listinha de carmas musicais.
Como o próprio nos escreve: – Amanhã o playlist poderia ser completamente diferente. Mas hoje é esse aqui:
Muhammad é um batera clássicão do jazz funk. Mas a grande parada dessa música é o tema do sax (tenor?). Gruda na cabeça e o cara depois fica assobiando por aí. A música passa uma coisa muito boa. Tipo final de tarde na piscina, uísque 12 anos na mão, gatinha do lado. Sampleada em “To All The Girls”, do Beastie Boys.lastfm
Message From A Black Man – The Heptones
Versão jamaicana de um clássico dos Temptations. O trio vocal Heptones em sua melhor fase, propagando o discurso de Martin Luther King. Uma guitarrinha com tremolo costura a música inteira deliciosamente. “Ei, não é aquela música do Mos Def?” Não, véio. Mas foi daqui que ele tirou a batida.
This Life Makes Me Wonder – Delroy Wilson
O Jonny Greenwood do Radiohead foi convidado pelo Trojan para fazer um apanhado do infinito catalogo de ska, reggae e dub do selo. Deu no excelente “Jonny Greenwood Is The Controller”. Essa música do Delroy Wilson veio de lá. Groove fantástico com aquele som de fita já gasta. Num disco cheio de pedras, essa é uma das mais foda.
Flip Ya Lid – Nightmares On Wax
Essa é do ótimo “In Space Outta Sound”, primeiro disco que ouvi dos caras. Não sei muito sobre eles. Mas a mistura de hip hop, dub e eletrônica me agrada demais. Beat bem espaçado, baixo gordo e preguiçoso, reverbe elegante na voz. Todos os timbres muito bem escolhidos. Desce fácil, com ou sem gelo.
Rosa Menina Rosa – Céu
Rolou uma gravação dos Sebozos Postizos ao vivo tocando essa musica do Jorge Ben uns tempos atrás. Aqui são os caras de novo: Pupillo, Dengue, Lúcio. Só que em vez do Jorge du Peixe, a voz é da Céu. E a Céu tem uma voz muito linda. A versão está no segundo álbum dela, Vagarosa. Bom todo.
Ringa Ding Ding Ding – Lord Newborn And The Magic Skull
Projetinho doente que tem o tecladista Money Mark, o guitarra Tommy Guerrero e o muito doido Shaw Lee como protagonistas. Três monstrinhos se divertindo com jazz, funk e soul. A intro tem uma batera bem seca, uma guitarra meio bêba. Depois descamba pra um teminha tocado no celular. Coisa fina, vá pelo cara.
Doido – Cidadão Instigado
Mais uma de Catatau e sua turma. Confissão de um cara que tá ficando louco para outro que já é. Riffs muito bons vão conduzindo a narrativa. Tem uma hora que tudo pára e a gente só escuta as vozes dentro da cabeça dele. Uhuuuu, disco que o Cidadão lançou há uns meses tá na minha lista dos melhores do ano.
Paranoid (Is It Any Wonder?) – The New Mastersounds
Jam fantástica deste quarteto inglês em cima do riff clássico do Black Sabbath. O negócio aqui também é pesado e barulhento, mas passa longe do metal de Ozzy e Iommi. Os caras mandam muito bem. A Faixa aqui em cima é a minha preferida do álbum 102 Per Cent lançado em 2006 pelo One Note Records.
Killing Floor – Afrodizz
O Afrodizz é uma banda de afrobeat do Canadá. Mas ouvindo o som, não tem quem diga. Inspirados nos nigerianos Fela Kuti e Tony Allen, fizeram essa bomba, que abre o disco Froots. Batera, baixo, guita, metais e percussão numa levada muito nervosa, cada qual com o seu espaço. Gosto como os vocais encaixam numa linha meio hip hop.
Organ Donor – Lefties Soul Connection
Versão orgânica de uma música do DJ Shadow. Outra banda de nu funk com formação igual a do Meters: guitarra, baixo, teclado e bateria. Tudo na cara, sem frescura. Do meio pro fim a turma deixa o batera tocando sozinho uns 30”. Pra você recortar no computador e gravar por cima qualquer coisa.
Clica aqui pra baixar o Playlist#1 (71,5 MB)
Link pra baixar a capinha.
A moda é mob \o/\o/\o/\o/\o/\o/
Você está andando calmamente pela rua, quando de repente uma, duas, dezessete, váááárias pessoas começam a se aglomerar e fazer uma dança esquisita. De início você fica aturdido, “mas o que é isto, companheiro, estão ficando loucos?”, até que você para e percebe: “Ahhh, é só mais um flash mob”. Não se sentiu contemplado nesta descrição? Não entendeu nada? Então…Segundo o Wikipédjia, “Flash Mobs são aglomerações instantâneas de pessoas em um local público para realizar determinada ação inusitada previamente combinada, estas se dispersando tão rapidamente quanto se reuniram. A expressão geralmente se aplica a reuniões organizadas através de e-mails ou meios de comunicação social” (ou seja: um bando de gente reunida fazendo alguma coisa engraçadinha para ser filmada e que esperam virar hit no Iutiubiu). Exemplos que você deve ter visto: Pillow Fight, Zombie Walk, Black Eyed Peas no programa da Oprah ou o estátua! na Grand Central em Nova Iorque.
Brincadeiras à parte, esse tipo de mobilização über bombou este ano, e a equipe de reportagem do Cultbox não poderia ficar fora do hype.
O @naosalvo fez o favor de escolher o top #8 do ano na opinião dele (que eu também concordo, devo dizer rs) que você pode conferir clicando aqui.
Ainda surfando no hype, os flash mobs ganharam até programa de televisão no Multishow, o MOB Brasil, apresentado pela Didi Wagner. Ouqueis, agradecemos a iniciativa, mas pra ser sincera, fora do programa não vi NENHUM dos mobs organizados por eles. Não dá pra ser forçadamente cool, né? Na verdade, a falha do programa é essa: empurrar o mob com uma ‘causa’ goela abaixo, pra ‘educar’ os jovens do país com um approach ‘descolado’. O episódio de hoje é com o vocalista do Fresno. Bem, tirem suas próprias conclusões. Confira clicando aqui.
Como não poderia deixar de ser, é lóóóógico que nós, publicitários, não poderíamos perder a oportunidade de utilizar os flash mobs para fazer um viralzinho, não é mesmo? Eu mesma vi uma ação da @conexaovivo no Recife Antigo no final de semana passado, mas ainda desconheço os resultados (alô, produção?). Na minha humilde opinião, o melhor uso de flah mob para uma marca vai para a T-Mobile, com a famosa aglomeração da plebe rude londrina na Trafalgar Square cantando “Hey Jude”.
Se me perguntassem o futuro dos mobs pra 2010, eu diria: #temdemsia. Aposto sim, cada vez maiores e mais inusitados, com mais ‘amor à marca’, como no caso da T-Mobile, ou com mais ‘amor à causa’, como este aqui de Outubro pra o ‘movimento’ Hopenhagen (queu gosto muitcho!)
Afinal, quem não quer te
Ps: Aproveitando a atenção do querido leitor, em breve faremos uma tentativa de flash mob no carnaval recifolindense. Aguardem mais instruções e… Se liga no flash

Lady Gaga* in an extreme ultimate real sexxx porn movie**
Crie um bairro imaginário. Só seu. Mas coloque personagens de domínio público, gente que se pareça com gente, com uma pequena diferença: faça com que eles saibam proferir pensamentos e indagações num formato menos convencional que o natural jogo de perguntas e respostas de quem busca referências.Aulas de Paula Rizzo no Bootcamp da Miami Ad School me ensinaram modelos de busca na internet bombásticos. Um deles. Você vai lá, mete um ‘filetype: .pdf’ ou ‘filetype: .etc’ depois do assunto que quer pesquisar no Google e pimba. Artigos, instrumentos generosos de pesquisa, formatos do jeitinho que você quiser.
Problema. As ferramentas cada vez mais rápidas (o Google só falta pedir desculpas, se demorar mais que 0,32 segundos para encontrar 910 mil referências sobre “Gonçalo M Tavares”), fazem com que a gente viva como o cachorro de porta de igreja que tenta morder seu rabo. Todos agora somos trendwatchers em potencial, o tempo inteiro, melhor ainda se não tivermos a infeliz ideia de usar Velox.
Gonçalo M. Tavares lançou 21 livros de 2001 até hoje. Ele não é primo de Lair Ribeiro, não tem convênio de saúde tipo família com Paulo Coelho, nem muito menos faz pocket books a partir de vários 140 caracteres que publica no Twitter.
Ele é um escritor. Certamente um dos melhores que leitores da língua portuguesa lamberam os dedos para folhear as páginas, ultimamente. E por que vim falar dele no CultBox?
Por causa disso: “O medo é o segredo que a velocidade esconde.”
A ânsia (náusea?) pela busca veloz e desenfreada nos colocou num círculo (Fórmula Indy, oval, patinou se esborracha no paredão) perigoso. É como se todos os boêmios do mundo resolvessem beber álcool em gel para agilizar o processo – e não apreciar uma boa cerveja, um bom vinho, quiçá uma boa vodka com laranjada, se você for menina.
Freio.
Um dos personagens de Tavares, no seu “Aprender a Rezar na Era da Técnica” (não se engane precocemente pelo título, vá por mim), é um pai militar que, na infância do filho, o coloca num quarto escuro toda vez que o pequeno sente medo. E o filho, atendendo ao seu biológico – e natural – momento de aprendizado, assume como verdade que ter medo é errado – atitude de fracos, reprovável. O pai se mata, mas deixa essa merda de herança.
Acelero.
Pesquiso na web rapidamente um link para deixar sobre Gonçalo M. Tavares. Acho uma foto. Melhor isso: a foto. A cara do personagem. Ele é o meu Senhor Brecht, com ensinamentos de desenhos quase infantis e palavras amadurecidas como poucos, às custas de (até que enfim, o assunto) muita leitura.
O próprio escritor já disse algo como “ler para ter lucidez”.
Voltando ao assunto. Leitura.
Quando @igormoura e @eduardofialho me chamaram para escrever aqui, resolvi que seria assim: um, dois, três e já. Arquivo em branco, tema aberto, preparar, apontar, marcadores de páginas em punho, avante.
Queria uma referência que fosse um bairro só nosso, imaginário, coletivo, por onde nós, personagens de domínio público, triviais, pudéssemos dividir algo que talvez faça parte de um território menos habitado do que antes foi. Algo que o Google pudesse achar, mas não dar (feeling lucky?). Mesmo que você digite ‘filetype: .doc’ depois do assunto.
Livro.
De preferência, um de Gonçalo M. Tavares para que você conheça o Senhor Brecht.
*O título do post é apenas uma tentativa que mais gente me ache no Google. Procurar Pedrinho Fonseca certamente será #fail. Procurar um vídeo pornô de Lady Gaga, não.
**If you’re a swedish teenager, I’m sorry. This is an esperanto article about books. For ‘sex’ and ‘Lady Gaga’, please check it out once again. Pervert.
Nota do autor: esse texto não foi revisado, nem relido, como sempre faço. Para que a norma gramatical não impeça minhas faltas de norma. #sorry
Blowin’ in the Wind
Eis a pergunta com que Robert Allen Zimmerman inicia um de seus primeiros sucessos, tendo ele ainda muitas estradas à frente por percorrer. Poucos ligaram em questionar-se se ele já era de fato um homem, mas não são poucos os que hoje o consideram uma lenda viva da cultura pop.
Nascido no estado americano de Minessota em 24 de maio de 1941, na cidade de Duluth, Robert desde pequeno interessava-se pelo universo da arte, escrevia poemas aos 10 anos de idade, e adolescente transformou-se em músico autodidata. Enquanto crescia, o jovem Robert viu crescer consigo o rock’n’roll, e pelo rock crescia o seu encanto. Mas permaneceria pequeno tal encanto diante do vislumbre que a música folk americana causaria nele ao ingressar na universidade.
Partindo a Nova York fez questão de conhecer seu novo ídolo, Woody Guthrie, célebre cantor folk. Levou consigo à “Big Apple” já algumas composições arranhadas em seu violão.
Não tardou para que o jovem Robert fosse exaltado. Final da década de 50, início da década de 60, época de muitas e profundas transições, Robert encarnava um espírito revolucionário pelo qual muitos dos jovens americanos ansiavam. Parecia cantar contra o status quo social, foi feito herói. Mas se tinha algo que o sr.Zimmerman detestava era convenções.
Convencionaram chamá-lo de cantor folk, tomou em mãos uma guitarra elétrica para enraivecer os puristas. Em meio a todo o flower power que o transformou em idólo, Robert dormia com uma arma calibre 12 ao lado com medo de que hippies invadissem sua casa. Amado por muitos, vivia recluso. Robert foi de tudo um pouco, não gostando que o dissessem ser; era e é, pois, nada mais que Bob Dylan.
Entre os artistas que re-gravaram alguma de suas composições estão o Guns’n’Roses e os dinossauros dos Rolling Stones. Diz a lenda, Dylan teria até sido o responsável por apresentar certos rapazes de Liverpool à maconha; e graças a sua voz nasalada Jimmi Hendrix teve coragem de cantar ele também, e não só tocar sua guitarra. Comparações desse tipo não são cabíveis, porque são coisas distintas, mas pode-se dizer, e comumente se diz, que Bob Dylan está para os americanos, assim como Chico Buarque está para os brasileiros: letras elogiadas, voz deplorada e uma fascinação mítica.











































































